Capítulo 2
Olá amigos!!!!
Aqui tudo continua ótimo, estamos muito felizes. Ocupados e animados. Nosso aniversário de casamento foi comemorado no dia 11 com os missionários recém chegados: 5 brasileiros (que ficaram 19 dias em treinamento em São Paulo) e 3 americanos (que ficaram 6 semanas em São Paulo também e falam um Português surpreendente para quem tem tão pouco tempo de contato com a língua). Eles se reuniram em nossa casa para instruções junto com aqueles que serão seus treinadores (missionários mais experientes). Uma turma boa de 14 rapazes e 2 moças. Para mim que não fui missionária tudo é novidade. Ou quase tudo!
Para quem não sabe, esses missionários servem voluntariamente por 2 anos . São membros comuns da Igreja (embora bastante fiéis), entre 19 e 26 anos (rapazes) e maiores de 21 anos (moças). Quando enviam seu "chamado", isso é, sua proposta de servirem, não sabem para onde serão enviados. Sabem que as regras serão bem estritas de conduta e comportamento. Sua vida é plena, por estarem a serviço do próximo, mas muito desafiante. Não namoram nesse tempo, não vêem TV, não ouvem música, não ficam sozinhos nunca, sempre em duplas. Tem hora certa para levantar (6:30), para dormir (22:30). Almoçam na casa dos membros. Moram em casas simples e tem um dia de preparação na semana, aqui segunda feira, quando acessam Internet para falarem com a família, escrevem cartas aos amigos, limpam a casa e lavam roupa. Às vezes jogam basquete ou futebol, ou passeiam em algum lugar na cidade. Vão servir onde forem mandados, geralmente 5-6 meses em cada área. Temos missionários em aproximadamente 20 cidades que vão de Santa Maria para oeste, norte e sul do estado, pegando a fronteira com Argentina (Uruguaiana) e Uruguai (Livramento). São designados a um companheiro que por vezes nunca viram e ainda assim são na maior parte do tempo muito felizes. Seu trabalho é testificar de Jesus Cristo e de seu papel em nossa vida, apresentando a quem desejar ouvir a mensagem do Evangelho segundo acreditamos. Nosso trabalho é cuidar do envolvimento deles, 150 atualmente. E de sua saúde, de suas casas, de sua motivação, bem estar e treinamento.
A semana passada foi muito fria. Teve dia de ver no termômetro 2 graus em plena 10 horas da manhã. O pior: chovendo! Tem fotos com a geada nos vidros do carro e no chão. Meus pés ficaram gelados o tempo todo. Não tenho botas ainda e as meias grossas que comprei acho que não foram suficientes para sapatos abertos. Também me faltou experiência com echarpes e cachecóis, na falta absoluta de pescoço para portá-los. Agora explico o nordestino: não precisa de pescoço para o que o gaúcho chama de manta....
Estive altamente envolvida em prover a casa com as coisas que precisávamos: roupas de cama, banho, mesa, talheres, panelas, etc, etc. A família que morava aqui antes quase não ficava em casa (só um casal). Não cozinhavam em casa... assim as demandas eram muito diferentes. Mas a Igreja prove muito bem por nós e agora temos tudo o que precisamos, bem lindo. A casa está começando a ficar com a minha cara. É bom começar de novo aos 20 anos de casada.
Segunda fomos a Porto Alegre buscar os meninos. O vôo previsto era para as 5 da tarde, mas na iminência de atrasar preferimos fazer planos de dormir em Porto Alegre, o que se provou sábio. Eles não puderam descer em Congonhas por problemas na ranhura da pista... imaginem... foram para Guarulhos e perderam a conexão, chegando em Poá as 19:30. Terça visitamos o melhor museu de tecnologia que conheço no Brasil: O Museu de Tecnologia da PUC, onde tinha vontade de levar Diogo desde dezembro de 2004 (ele em Idaho, EUA) quando estivemos no RS. Tanta experiência para se ver e provar... Adorei mais uma vez. Mas a viagem de volta foi longa. Erramos o caminho e andamos mais 60 km além dos 300 previstos. A noite ainda fui ao Escritório distribuir roupas e agasalhos para os missionários que estão no interior e para os quais tínhamos portadores naquele dia. Livramo-nos de umas 5 caixas de camisas, calças, ternos , sobretudos, pulôveres, etc. E que serão úteis.
Quarta o dia foi longo... começou às 7:30 da manhã, com 18 missionários chegando para um café da manhã e uma reunião de missionários líderes da missão, chamados Líderes de Zona (que lideram em torno de 20 missionários). Mal tinha começado e a campainha toca: nossas 119 caixas da mudança chegando... Às 11:30 distribuí uma sacola com almoço para esses mesmos 18, muitos dos quais viajando em seguida para suas áreas de origem (Livramento, Uruguaiana, Alegrete, Santo Ângelo, Ijuí, Santiago.). Haja fome: 1 sanduba de 40 cm, 1 lata de refrigerante 1 maçã, 1 pacote de biscoito.... Comi meio sanduíche e não almocei...
Logo toda a família estava envolvida em abrir caixas e descobrir onde estavam suas coisas. Mas às 7 da noite um grupo de jovens da Igreja, uns 30, vieram dar boas vindas aos nossos 2. Estava pré-combinado e trouxeram cachorro quente e torta, mas às 23 horas botamos a turma pra correr... estávamos mortos!!! Mas Diogo e Nat ficaram felizes e ambientados. No dia seguinte já saíram de novo e ainda trouxeram dois amigos para dormir em casa!!! É assim, amigos instantâneos da família instantânea da Ala (unidade da Igreja que freqüentamos) instantânea... Diogo mal pára em casa. Nat mais agarradinha como sempre dispensa alguns programas, a despeito dos inúmeros convites. Aqui a turma sai para bater perna pela cidade. Vão ao Calçadão, uma rua fechada ao trânsito, à feira, à Capela, à casa uns dos outros. Mas estão sentindo falta dos amigos daí.
Sexta foi nossa primeira de uma série de 7 Conferências de Zona, aquele mesmo grupo que citei há pouco. Isso significa que nas próximas duas semanas vamos viajar por aquelas cidades que mencionei. A primeira foi em Santa Maria e tive minha chance de compartilhar um dos meus segredos: o multi-uso Lysoform!!! Expliquei que serve para retirar cheiro de roupa, para limpar melhor que desinfetantes comuns, para mal cheiro nas axilas e pés. Ficaram impressionados ... Também falei sobre limpeza das casas, da roupa de cama, dos cuidados de saúde, como febre que não pode subir além de 40 graus e assepsia de nariz e garganta. Tem tantos adoecendo... o frio é muito e eles estão na rua o tempo todo... Ficaram bem a vontade. Até ensinei brevemente a lavar roupa e depois quarar ou clarear. Alguns fazem isso na roupa ainda suja. Eles não tem máquina. Às vezes tanquinho. Então precisam aprender a lavar a mão... Duro!! A tarde desse dia de reunião fui visitar algumas casas. Na primeira desesperei , mas certamente foi a pior do dia. As outras duas estavam melhor cuidadas. Eu também aprendi uma abordagem mais ... educativa. Chego na porta, eles com o coração na mão, paro e pergunto: Elder, o que aí dentro vai me deixar triste? E o que vai me deixar feliz? Se eles não são capazes de responder, peço a eles que entrem sozinhos e façam uma avaliação antes da minha inspeção... São só meninos... que queremos tornar homens, bons homens... Aí começa a sessão de juras e promessas... Já entro com compromissos assumidos. Às vezes ensino-os a limpar algo. Ou a limpar um colarinho encardido. O maior problema é a sovinice: não querem gastar dinheiro com produtos de limpeza. E não dá para ter só desinfetante, sabão em pó e detergente... Vou acrescentar um limpador à lista deles...
A vida social aqui é legal também. Temos a boa companhia do casal Bete e Cécer Dutra, ex-companheiro do Rodrigo na missão no milênio passado. Já descobrimos bons lugares de comer, inclusive um lugar paradisíaco chamado Val de Buia que fica na Quarta Colônia da Imigração Italiana, coisa de 30 minutos daqui e que tem um serviço impecável... Delícia!! A região é lindíssima, com direito a campos verdejantes onde pastam ovelhas, nessa época sem a tosquia. Lagos, riachinhos, montanhas verdes... coisa de cinema! Eles produzem vários artigos chamados coloniais: queijos, doces, pães, mel, salames, facas, artesanato. Um bom lugar para usar as bicicletas que trouxemos em estradinhas de terra ... planas!!!
A vida é bem mais sossegada. A azia do Rodrigo sumiu. Minha tensão no pescoço está bem melhor, embora ainda não tenha conseguido me organizar para achar um Pilates e RPG por aqui. Até tenho os telefones. Ligo essa semana, sem falta! Não temos muito trânsito e a distância maior é de 10-15 minutos. Um supermercado com lojas de apoio bem em frente, o Centro da cidade (onde é o escritório) a 7 quarteirões... Vai ser difícil voltar para BH... já estamos preocupados! Só vocês para nos fazerem voltar...
No mais , queremos agradecer a todos os que nos ajudaram nessa saída tumultuada. Os cartões, presentinhos, e-mails, as festas... Tanta gente atenciosa e querida. Muito obrigada, amigos! Vocês moram no meu coração!!!









