Capítulo 5
Olá todo mundo!
Tenho recebido algumas respostas e fico muito feliz em ter notícias de vocês. Não precisam escrever tanto, mas dêem-nos notícias de vez em quando... Sentimos saudades... ainda que nossa vida esteja tão plena aqui... queremos saber de vocês...
Vivi uma semana tipo "Desventuras em Série" na semana atrasada... Começou na terça, no jantar com os novinhos, que mal acabaram de chegar e já viram uma Sister desastrada tomando um banho de calda de chocolate. Isso porque fui ver o que estava no forno elétrico que é mais alto e a receita pedia água quente sobre uma farofa de chocolate em pó e açúcar. Fiquei 3 minutos sem ação numa poça de calda na cozinha, molhada do peito ao salto do sapato... E eu estava tão elegante... Na quarta, depois do treinamento dos novos com seus treinadores, tentei ajeitar o espaço da cobertura e uma mesa pesada desmontável despencou sobre uma estante cheia de pequenos itens de cozinha para a casa dos missionários (bacias, tigelas, copos, pratos, etc...) desmontando tudo. Quando equilibramos as coisas, num último ato, coloquei uma pilha mais pesada de bacias e vi tudo ir ao chão de novo, quase nocauteando Elder de Araújo, por um tris!!! Quase morri de susto. Meu coração até disparou diante da possibilidade de vê-lo de cabeça rachada. Tentava encontrar alguns papéis dentro da pasta com fichas alfabéticas dos 150 missionários quando o fecho se abriu e ... folhas para todos os lados... Juntei então umas caixas onde vieram os sanduíches que servíramos a eles, agora cheia de farelos e casca de mexerica (bergamota nessas bandas) e mais uma bandeja . Não é que na descida da escada tudo voou da minha mão, sendo aspergido pela sala do pavimento principal e pela escada? Nessa hora não resisti: escondi o rosto e não sabia se chorava ou ria... Quem assistira a tudo não se continha: Elder Kennedy dobrava de rir. Elder S. Moreira correu a pegar uma vassoura, rindo sem parar. Elder Mellor ,que mal chegara, foi ajudar, tentando num português precário me consolar... A melhor veio do Elder Kennedy ,quando conseguiu falar: “Sister Bean, dizia ele, Sister Bean!!!” Ainda bem que não pegou!!! Fiquei o resto da tarde abalada, suspirando, coração descompassado. (Acho que por isso não brincaram mais...) Foi realmente terrível!!! Mas passou. Na verdade, tinha dormido muito pouco naqueles dias, preocupada que estava com os "saintes" e os "chegantes" e todos os detalhes desses 3 dias.


A organização da casa deles ainda me consome muito tempo. Dona Emerita ajudou ativamente enquanto esteve aqui: embainhou panos de limpeza, toalha de mesa, até consertando calças descosturadas... E anda muito entusiasmada com toda a agitação da casa. Disse nunca ter visto casa mais movimentada: jantar para 15, jantar para 14 ,café da manhã para 30 e dá-lhe visitas... Acredito que seus olhos mudaram em relação a esses rapazes e moças tão altruístas. Ainda mais quando recebia elogios...
Sábado atrasado consegui despachar um caminhão baú cheio de coisas inúteis em algum lugar e muito desejadas em outros, especialmente tanquinhos, que 5 ou 6 casas ainda não tinham. Para quem lava roupa a mão é um quebra-galho! Ficaram felizes. O "Tour de bagulhos da Missão" levou 3 dias e movimentou muita coisa. Seu Venturini , contratado por nós fez as entregas e coletas e voltou com caminhão cheio de tralhas a Santa Maria. Agora é cuidar de dar essas sobras... Muitos missionários tem me ligado agradecendo os "presentes". Um deles achou até que fosse Papai Noel fora de hora.
Também fomos a um batismo onde como família cantamos aquele hino "Mais vontade dá-me", o mesmo de nossa despedida. Nat se recusou, e Dona Emerita entrou no lugar. Ficou bonito, imagino eu.
Segunda saímos para Porto Alegre para levar Diogo e Dona Emérita ao Aeroporto. Coração de mãe meio desfacelado... Ele está tão feliz e animado que não consigo nem ficar triste, somente apreensiva, acho eu. Na segunda ainda fomos ao cinema e saímos para jantar os três. Embarcou na terça bem cedo. O momento é de uma profunda reflexão do que foi feito. Sinto que o tempo com ele está no fim mesmo... talvez alguma coisa mais se possa fazer, mas ele vai viver como quiser a partir de agora. Confio no provérbio: “Ensina a criança no caminho em que deve andar e ainda quando for velha, não se desviará dele”. Esperamos ter ensinado o suficiente, ele é tão bom em tantas coisas... vai se dar bem. Os planos de vôo dele mudaram, como sempre, e acabou por perder a conexão de Miami para Las Vegas, onde dormiria. Mas a TAM arranjou um hotel e ele dormiu em Miami. Na quarta, minha amiga Liz Tanner encontrou-o em Salt Lake City, levando-o a Provo, cidade onde ele vai morar e distante menos de uma hora em Highway de Salt Lake. É tão bom ter amigos!! Ela mesma cuidou de acompanhá-lo até o apartamento, checar o que precisava ser comprado e levá-lo ao Costco (um atacadista) e ao Wal-Mart. Foi meu último contato com ele... quando liguei no celular dela e ele estava junto. Depois, só recados no Orkut da Nat... DIOGO!!!! Mereço mais que isso!!!
Esse fim de semana fomos a São Gabriel e Rosário do Sul, uma cidade ao sul, 170 km daqui, para uma reunião chamada Conferência de Distrito. Os irmãos da Igreja nos recebem de braços abertos. Dei um treinamento de 2 horas seguidas para as irmãs, ajudando-as nas suas responsabilidades na Igreja, com as moças, as senhoras e as crianças. Elas gostaram. Os anos de prática tem me ajudado muito. Sinto novamente que tudo o que vivi me preparou para esses dias. Os problemas são os mesmos que em Minas Gerais ou outros lugares em que estive fazendo esse trabalho. Só muda o endereço!!!
Gilmar Filho, aqui Elder Gatto, está em Rosário. Ontem fui a casa dele, uma casa ótima, muito limpa até. (Está certo que tinha avisado e houve uma certa... preparação...), assisti a uma reunião batismal de um converso que ele ensinou. Foi muito bom vê-lo na sua área ensinando e liderando como missionário. É uma bênção tê-lo por perto nos lembrando quão grande será a nossa alegria com as almas que levarmos a Deus. Às vezes vejo nele o menino levado que inúmeras vezes dormiu na minha casa e que me enchia de beijos e abraços . Na maioria do tempo, no entanto, ele é mais um missionário. Isso torna as coisas mais fáceis. É difícil controlar a predileção para não gerar ciúmes nos outros... Ele está bem, saudável, animado, com um companheiro que irá embora em um mês, muito experiente portanto. Fez um ótimo bolo de cenoura para a reunião batismal. Fiquei impressionada com os dotes culinários que estão aflorando nele. Nat também foi e ficou feliz de vê-lo novamente.
O caminho com irmão Flores foi instrutivo: aprendi que parte dos campos verdes que vejo são trigo, agora crescendo para a colheita no final do ano. Dizem que os verei amarelinhos, balançando ao vento. Deve ser lindo. Outro tanto de verde é pasto e a distinção nessa época do ano é que temos gado sobre o pasto :) ... Também consigo distinguir as sobras da cultura de arroz, aqui nos baixios ou irrigada. Arroz e soja serão plantados no final do ano, para a colheita em março ou abril. Dizem que ver as colheitadeiras trabalhando é de emocionar. Vi muitos silos e secadores, inclusive do Tio Urbano, uma empresa enorme aqui. As estradas têm até placas em espanhol, tantos são os argentinos que no verão se dirigem a nossas praias... Nosso hotel também teve cardápio e instruções em Português e Espanhol... Isso a quase 200 km da fronteira...
Amanhã é aniversário do Rodrigo, 46 anos!!! Tem sido um privilégio viver ao lado desse homem tão especial. Daqui a pouco tempo teremos mais tempo de vida juntos que antes de nos casarmos. Seremos ainda mais “uma só carne”, como é o mandamento de Deus. Considero uma bênção estar ligada a alguém que facilita esse caminho...
Carla, minha irmã, numa descoberta “bidudesca”, sugeriu que esse relato tão detalhado pode servir de diário... lembra-me o dia em que ela, aos 3 anos , faceira como dizem aqui, contou pra mamãe: “Sabe, mãe, eu fiz uma grande descoberta: quando eu estou com sono e durmo, o sono acaba....”
Beijos a vocês, a quem confio minhas aventuras.... Recebam nosso amor.
isso não brincaram mais...) Foi realmente terrível!!! Mas passou. Na verdade, tinha dormido muito pouco naqueles dias, preocupada que estava com os "saintes" e os "chegantes" e todos os detalhes desses 3 dias.
A organização da casa deles ainda me consome muito tempo. Dona Emerita ajudou ativamente enquanto esteve aqui: embainhou panos de limpeza, toalha de mesa, até consertando calças descosturadas... E anda muito entusiasmada com toda a agitação da casa. Disse nunca ter visto casa mais movimentada: jantar para 15, jantar para 14 ,café da manhã para 30 e dá-lhe visitas... Acredito que seus olhos mudaram em relação a esses rapazes e moças tão altruístas. Ainda mais quando recebia elogios...
Sábado atrasado consegui despachar um caminhão baú cheio de coisas inúteis em algum lugar e muito desejadas em outros, especialmente tanquinhos, que 5 ou 6 casas ainda não tinham. Para quem lava roupa na mão é um quebra-galho! Ficaram felizes. O "Tour de bagulhos da Missão" levou 3 dias e movimentou muita coisa. Seu Venturini , contratado por nós fez as entregas e coletas e voltou com caminhão cheio de tralhas a Santa Maria. Agora é cuidar de dar essas sobras... Muitos missionários tem me ligado agradecendo os "presentes". Um deles achou até que fosse Papai Noel fora de hora.
Também fomos a um batismo onde como família cantamos aquele hino "Mais vontade dá-me", o mesmo de nossa despedida. Nat se recusou, e Dona Emerita entrou no lugar. Ficou bonito, imagino eu.
Segunda saímos para Porto Alegre para levar Diogo e Dona Emérita ao Aeroporto. Coração de mãe meio desfacelado... Ele está tão feliz e animado que não consigo nem ficar triste, somente apreensiva, acho eu. Na segunda ainda fomos ao cinema e saímos para jantar os três. Embarcou na terça bem cedo. O momento é de uma profunda reflexão do que foi feito. Sinto que o tempo com ele está no fim mesmo... talvez alguma coisa mais se possa fazer, mas ele vai viver como quiser a partir de agora. Confio no provérbio: “Ensina a criança no caminho em que deve andar e ainda quando for velha, não se desviará dele”. Esperamos ter ensinado o suficiente, ele é tão bom em tantas coisas... vai se dar bem. Os planos de vôo dele mudaram, como sempre, e acabou por perder a conexão de Miami para Las Vegas, onde dormiria. Mas a TAM arranjou um hotel e ele dormiu em Miami. Na quarta, minha amiga Liz Tanner encontrou-o em Salt Lake City, levando-o a Provo, cidade onde ele vai morar e distante menos de uma hora em High-way de Salt Lake. É tão bom ter amigos!! Ela mesma cuidou de acompanhá-lo até o apartamento, checar o que precisava ser comprado e levá-lo ao Costco ( um atacadista) e ao Wal-Mart. Foi meu último contato com ele... quando liguei no celular dela e ele estava junto. Depois, só recados no Orkut da Nat... DIOGO!!!! Mereço mais que isso!!!
Esse fim de semana fomos a São Gabriel e Rosário do Sul, uma cidade ao sul, 170 km daqui, para uma reunião chamada Conferência de Distrito. Os irmãos da Igreja nos recebem de braços abertos. Dei um treinamento de 2 horas seguidas para as irmãs, ajudando-as nas suas responsabilidades na Igreja, com as moças, as senhoras e as crianças. Elas gostaram. Os anos de prática tem me ajudado muito. Sinto novamente que tudo o que vivi me preparou para esses dias. Os problemas são os mesmos que em Minas Gerais ou outros lugares em que estive fazendo esse trabalho. Só muda o endereço!!!
Gilmar Filho, aqui Elder Gatto, está em Rosário. Ontem fui a casa dele, uma casa ótima, muito limpa até. (Está certo que tinha avisado e houve uma certa... preparação...), assisti a uma reunião batismal de um converso que ele ensinou. Foi muito bom vê-lo na sua área ensinando e liderando como missionário. É uma bênção tê-lo por perto nos lembrando de quão grande será a nossa alegria com as almas que levarmos a Deus. Às vezes vejo nele o menino levado que inúmeras vezes dormiu na minha casa e que me enchia de beijos e abraços . Na maioria do tempo, no entanto, ele é mais um missionário. Isso torna as coisas mais fáceis. É difícil controlar a predileção para não gerar ciúmes nos outros... Ele está bem, saudável, animado, com um companheiro que irá embora em um mês, muito experiente portanto. Fez um ótimo bolo de cenoura para a reunião batismal. Fiquei impressionada com os dotes culinários que estão aflorando nele. Nat também foi e ficou feliz de vê-lo novamente.
O caminho com irmão Flores foi instrutivo: aprendi que parte dos campos verdes que vejo são trigo, agora crescendo para a colheita no final do ano. Dizem que os verei amarelinhos, balançando ao vento. Deve ser lindo. Outro tanto de verde é pasto e a distinção nessa época do ano é que temos gado sobre o pasto :) ... Também consigo distinguir as sobras da cultura de arroz, aqui nos baixios ou irrigada. Arroz e soja serão plantados no final do ano, para a colheita em março ou abril. Dizem que ver as colheitadeiras trabalhando é de emocionar. Vi muitos silos e secadores, inclusive do Tio Urbano, uma empresa enorme aqui. As estradas têm até placas em espanhol, tantos são os argentinos que no verão se dirigem a nossas praias... Nosso hotel também teve cardápio e instruções em Português e Espanhol... Isso a quase 200 km da fronteira...
Amanhã é aniversário do Rodrigo, 46 anos!!! Tem sido um privilégio viver ao lado desse homem tão especial. Daqui a pouco tempo teremos mais tempo de vida juntos que antes de nos casarmos. Seremos ainda mais “uma só carne”, como é o mandamento de Deus. Considero uma bênção estar ligada a alguém que facilita esse caminho...
Carla , minha irmã, , numa descoberta “bidudesca”, sugeriu que esse relato tão detalhado pode servir de diário... lembra-me o dia em que ela, aos 3 anos , faceira como dizem aqui, contou pra mamãe: “Sabe, mãe, eu fiz uma grande descoberta: quando eu estou com sono e durmo, o sono acaba....”
Beijos a vocês, a quem confio minhas aventuras.... Recebam nosso amor.
Alessandra e família







