Capítulo 4

Olá a todos!

As notícias vão escasseando... pelo menos aquelas que podem ser divertidas para vocês. É que a vida na Missão se repete em períodos de 6 em 6 semanas, que é quando chegam os novos (que eu chamo de chegantes) e se vão os que completaram o tempo (para mim, saíntes). É um período tumultuado: jantar de despedida, treinamento para os que chegam, jantar de chegada, transferência de cidade daqueles que ficam se adaptando às mudanças. Essa será uma dessas semanas. Elder Wightman está entre esses que se vão. Como ele é da nossa unidade aqui sentiremos sua falta. É um amor de pessoa... outro dia me explicou: "Se a Sister quer comprar coisas para as casas tem que explicar bem direitinho como usa, pra que serve, como se nós fôssemos retardados... porque... na verdade... nós somos!!!" Não acredito nisso, só acho que são tão jovens como o Diogo, por exemplo... e muito valentes em cuidar de si nesses dois anos.

Foto do capítulo 4
Foto do capítulo 4
Casas mais que Coloridas
Casas mais que Coloridas

Semana passada estive em São Paulo com Diogo, para a entrevista do visto de estudante no Consulado Americano... imaginem o desprazer!!! Eita lugarzinho difícil!!!! Mas deu tudo certo. É raro eles negarem com o formulário I-20 que vem da Universidade... Como a entrevista é agendada com antecedência, marcamos eu, mamãe e Carla para que ela fosse ao Templo de São Paulo pela primeira vez. Foi uma experiência muito boa!!! Recarrega as baterias espirituais... E Carla estava tão feliz... Gostei de vê-la assim tão radiante.

Aproveitamos para encontrar Marco Aurélio, irmão do Rodrigo e sua filhinha linda Luiza. Visitamos o novo apartamento, lindo, num prédio excelente. Fiquei imaginando Luiza crescendo ali, cheia de amiguinhos e correndo livre por todas aquelas áreas de lazer. Vai ser muito bom para eles.

Lógico que Sampa significa Shopping e na recessão deles aqui em Santa Maria aproveitei para umas comprinhas no Morumbi. Deu tudo muito certo, mesmo a viagem de 4 horas dirigindo para ir e 4 horas para voltar de Poá a Santa Maria. Em Porto Alegre comprei peixes e camarões frescos e pão árabe no mercado. Também fiz compras para as casas dos missionários: panos de prato, escorredor de arroz, baldes, lixeiras, colher de pau... etc. O carro veio cheio até a boca!!! No caminho, fui descobrindo coisas, trabalhos em lã crua de ovelha (o próprio artesão tosquia, lava, fia e tece... comprei um sapatinho de dormir e uma meia para Diogo), tapetes de retalhos de couro. Descobri também uma estância (tipo fazenda) que vende frango abatido na hora. Não tenho suportado frango de supermercado... Vai ser útil, embora esteja a 25 km daqui. O pôr do sol estava maravilhoso e viajamos felizes eu e Diogo, compartilhando muitas idéias e planos. Daí a idéia do CD de boa música brasileira para ser dado aos missionários. Diogo se envolveu nisso essa semana e está quase pronto. Vai ser um deleite para nós também. Ficou tão bom!!!

Foto do capítulo 4
Foto do capítulo 4
Até Cemitério é colorido!
Até Cemitério é colorido!

Passamos um susto nesse tempo também porque o “avanço” do Diogo (que lhe concederia o diploma do Ensino médio no meio do ano letivo segundo LDB) foi negado pelo Conselho de Ensino do Colégio Militar, sob alegação de que ele não teria comportamento em nível suficiente para ser avançado, norma interna na verdade não constante na Lei Federal. Foram 4 dias de angústia, porque todo o plano para que ele fosse agora para a BYU poderia ser afetado. Triste é que a mim me parecia um filme já visto, eu o advertira inúmeras vezes no passado a respeito, mas também sentia que não devia fazer nada, mas deixar que ele consertasse o estrago. Mas o Senhor Deus o ama muito e, como sintetizou Elder Kennedy: "Que misericórdia, né?", tudo se resolveu com oração, jejum e uma carta bem escrita a quatro mãos: Diogo e o tio Gustavo. O Colégio reviu a decisão concedendo o avanço e esperamos que Diogo tenha aprendido uma boa lição para sua vida. Aliás, meu sentimento nesses últimos dias com Diogo por perto é de avaliação e circunspecção. Esperamos ter ensinado tudo o que é importante a ele...

Nathália segue cada vez mais adaptada. Gosta do Colégio, onde tem se destacado. Essa semana mesmo foi chamada a jogar Basquete representando o Colégio. Tem sido uma boa colega, indignando-se com a exclusão. Diz ela que alguns colegas chegam para se assentar na mesma mesa do almoço e algumas das "gurias" se opõem, ela de imediato convida-os veementemente, dizendo "claro, ficaremos felizes com você por aqui..." coisas assim. Ou quando outros que não pertencem à "panela" se aproximam para trabalhos de grupo. Ela tem sido, como sempre, uma inclusora, mesmo que aqui esteja em desvantagem por ser novata, precisando ela mesma de aceitação e amizade. Tenho orgulho desse atributo dela. Está envolvida com as moças da igreja, que tem vindo aqui em bando para assistir filme, fazer tricô, passear, ver o Diogo :), que tem corrido léguas delas...está uma piada... Todas querendo se aproximar do gatinho filho do presidente e ele pensando em ir embora... Mas esse tempo de aproximação será importante para Nat... É claro que todos dois sofrem bem mais a ausência dos amigos, embora mantenham a atitude positiva que sempre tiveram em relação a nosso chamado. Diogo é mais "camaleão". Nat sempre foi mais agarradinha... vocês sabem... Vai levar mais tempo para fazer "amigas de verdade" por aqui.

Foto do capítulo 4
Novas Amigas
Novas Amigas
Bons P-Days com o Staff
Bons P-Days com o Staff

Sábado passado recebemos a liderança da Igreja da região e suas esposas: 14 casais. Estreamos nosso forno de pizza que fez o maior sucesso. O dia estava lindo e sem vento. A gauchada de cara mostrou preocupação com a quantidade e engraçado o comentário de muitos ao final: “eu não dava nada por essa pizzazinha... e estou mais do que satisfeito...” A tentativa de repetir a dose na segunda para a família do Dutra e do General Júlio Amo que está de mudança para Brasília foi desastrada. O vento não deixava o fogo acender... todos mortos de fome e nada de pizza. Mas ao final, com paciência, saíram todos satisfeitos e encantados. E mais chegados, porque é um programa realmente muito informal... Teve que ser, porque o tal vento norte fez voar as massas pelo chão... devidamente resgatadas, é lógico...apesar do constrangimento da dona da casa...

Vocês não imaginam o que é esse tal vento norte. É um vento quente e seco, que ganha velocidade ao entrar na baixada que é a cidade, cercada de montanhas como é. Chega a 90 km por hora, constante, por 3 dias. Quando se vai, abre espaço para o minuano trazer chuva e frio. Assim foi que essa semana, quarta, tivemos 30 graus, e na sexta a temperatura tinha despencado para 11graus, com chuva. Pelo menos a gente pode se planejar... Dona Emerita que chegou na quinta a noite ainda está estranhando o frio... mas segue também se adaptando e se divertindo em comprar casacos, lã e luvas.

Ontem foi um dia especial com os missionários do Staff, isso é, os assistentes e os secretários (Elder Kennedy, S. Moreira, Wolthius (aniversariando no dia, 21 anos!), Crose e W. Ferreira . Fomos em 11 (nós 4, Fernanda e Dona Emerita e mais os 5 missionários) a um lugar aqui perto, que os missionários nunca vão, que são as cidadezinhas da "QUARTA COLÔNIA ITALIANA". Entre 1878 e 1888 várias famílias italianas vieram se estabelecer aqui, vindas da região de Vêneto. Hoje são ainda colonos, produzindo artigos coloniais- salames, queijos, criação de gado e ovelha, pequenas roças, uva,horta... A região, entre as montanhas é linda. Chamam de Val de Buia, Vale Vêneto, em função da semelhança com seus lugares de origem. Temos aí um restaurante muito bom, com um mangiare tipicamente italiano que a Myrrhada adoraria em 5 etapas: frios (salames e queijo de colônia, pães e torradas, tomate seco e beringela em conserva numa primeira etapa, seguido de capeleti in bordo, levíssimo! Depois vem galeto na brasa com polenta grelhada, risoto tipo Dona Eleonora e radiche, e depois o rodízio de massas que traz sempre lazanha de frango (a pior opção) , mais tortei de abóbora (suave e maravilhoso...) e ainda rondelli de queijos (mais comum, mas delicioso, bem forte...). E ainda com direito a retornar as opções anteriores, o que sempre fazemos com o pão e também com a sopa de capeleti. De quebra, sobremesa com opção entre ambrosia e sagu . Certo é que logo que fomos lá pensamos de imediato nos missionários e sua capacidade de comer muito... E foi ótimo, mesmo que como crianças eles votassem a favor de dispensar o passeio a cidadezinha, tipicamente européia, como os que já conhecem o continente atestaram. Perguntavam sem cessar se o restaurante não fecharia (aqui todos fecham logo no início da tarde), mas quem me conhece sabe que só troco um mangiare por um bom programa cultural... o que afinal todos agradeceram felizes pela escolha.

Dona Emerita nos visitando
Dona Emerita nos visitando
Foto do capítulo 4
P-Day em 4º Colônia com o Staff
P-Day em 4º Colônia com o Staff

Como já disse essa semana teremos transferências e muitos passarão pela Rodoviária de Santa Maria. Queria aproveitar para entregar-lhes as sacolas com as coisas que eles relataram precisar (ou melhor, eles não costumam pedir nada, mas pelo inventário que preencheram sobre suas casas vi o que não tinham...), preparamos então 37 sacolões (por enquanto)... só de coisas baratinhas, mas essenciais (pelo menos no meu entendimento): conchas, pano de chão, pregadores de roupa, baldes, bacias, escorredor de arroz, garrafões para água mineral, tábua de cortar, espremedor de laranja, panelas e formas (essas coisas mais caras por enquanto transferidas de outras casas que tinham em duplicado). Acho que estou fazendo um bom trabalho, circulando as coisas desnecessárias em uma casa para outra, entre as 70(!!!) que temos. Creio que eles ficarão felizes... Muito mais coisas também irão chegar para mim, que eles trarão nesse encontro. Sei que será um trabalho para os 3 anos... Mas acreditamos que são especiais, merecendo viver simples mas dignamente. A etapa mais difícil é colocar isso na cabeça deles. Quando perguntei como viviam sem uma concha, me responderam: "estou pensando no que já fiz para comer que precisaria de uma concha... e se precisasse sempre poderia virar direto da panela no prato... " Vai entender!!!!

Foto do capítulo 4

Esse fim de semana acontece a Conferência da Estaca Santa Maria. Fomos convidados a falar ontem a noite e hoje faremos um serão para os casais. Os missionários loucos para nos ouvir poderão aparecer por lá se levarem pesquisadores. Esperamos poder ajudar!

Bem, saudades de todos. Outro dia sonhei com Belo Horizonte... minha cidade da alma. Temos nos descoberto mais mineiros do que pensávamos ser: falamos uai, trem, sô, putz grila... comemos pão de queijo sempre, tentamos comprar torresmo... é isso!