Capítulo 9

Meus amigos,

Mais trinta dias... O tempo voa e fizemos já mais de 4 meses aqui no Sul. A vida tem sido muito boa. No feriado do dia 02 de novembro fomos a um pesque-pague em São Pedro. Levamos os 5 missionários do escritório: meu amigo Elder Kennedy em seu último P-Day, Elder Hurst, Elder Crose e Elder W. Ferreira, além de Elder R. Lima que foi chamado como assistente na última semana, para o lugar de Elder Kennedy. Os preparativos foram para a saída dele, cujos pais vieram buscá-lo na segunda, permanecendo conosco até na quarta de manhã.

A semana foi meio confusa e acho que também estive meio sem assunto. Na terça dia 06 fomos ao Val de Buia, um restaurante italiano na Quarta Colônia, para um mangiare italiano em 5 etapas com os pais de Elder Kennedy, ele, os pais de Sister Miner e ela, e nós três. De lá visitamos Vale Veneto e seu museu, uma cidadezinha tipicamente italiana encravada nas montanhas daqui.

Em São Pedro do Sul atrás de jaboticabas
Em São Pedro do Sul atrás de jaboticabas
Eu e Elder Kennedy no Pesque-pague
Eu e Elder Kennedy no Pesque-pague
Os Miners e os Kennedys
Os Miners e os Kennedys

A família Kennedy é bem especial: Gary e Jane. Tem muita experiência na Igreja, já tendo servido como presidente de Missão e esposa (como nós agora) aqui no Brasil em 1993 na Missão São Paulo Sul. Como diz Elder Kennedy, ele passou um quarto de sua vida de 21 anos aqui no Brasil: 3 anos com os pais, dos 7 aos 10 e agora mais dois na missão. Daí seu português perfeito, com direito a conjugações verbais na segunda pessoa, palavras elaboradas, pouco sotaque. Mas ainda persegue a perfeição e se entusiasma com a descoberta de novas palavras. Seus pais trouxeram várias coisas para os missionários, inclusive roupas de baixo térmicas, para ajudá-los no frio daqui: 90 pares!!! Suficiente para todos os brasileiros, que geralmente nunca ouviram falar nisso. Lembro -me do Ricardo, tentando descrever o frio úmido de Portugal na sua missão. aqui é o mesmo. Estamos tentando nos prevenir antes que o inverno chegue novamente.

Trouxeram-me também de presente uma reprodução maravilhosa de Joseph Brickey, Maria e José entrando em Belém. O quadro tem uma luminosidade encantadora que entra pela lateral esquerda na luz da lua. Em segundo plano os pastores simples, quase despidos, aqueles que mais tarde testemunharão coisas maravilhosas. José parece tão viril, tão nobre... Muito lindo mesmo. Fiquei emocionada com o presente. Se não me engano, existe uma reprodução deste quadro no Templo de Salt Lake. E terei uma brevemente emoldurada aqui a me lembrar tamanha gentileza. Por encomenda trouxe-me também 42 pares de meias finas. Detesto as daqui, que me apertam a barriga... E muitas vezes tenho usado, especialmente para conferências e reuniões mais formais. Acho que essas darão para 3 anos...

Richard Miner, pai de Sister Miner, foi missionário em Belo Horizonte em 1968. Morava, vejam só, no Edifício Niemeyer, aquele em curvas da Praça da Liberade. Alguma viúva rica os deixava morar lá por quase nada e ainda mantinha empregada e cozinheira por conta deles... Trouxe-me várias fotos com pessoas que conheci bem: família Braga, Ilcéia a cara da Cristine de agora..., família Bueno, Família Lopes (Sergio, Darley e Paulo), a juventude da época, incluindo Edson Lopes, Iara, Gleids, Terezinha, etc, Família Lelis Pereira com todos os filhos, Walter Cardoso, irmão Manoel e filhos - não sei quem eram, mas ele gostava muito deles. Tinha 8 filhos... A capela recém inaugurada, ainda com o telhado de pedrinhas brancas que nas primeiras chuvas fortes de verão escorreram para as calhas e dutos, entupindo tudo e causando inundação na capela recém entregue... Coisa de americano que desconhece temporal tropical... Trouxe-me também parte de seu diário na época, relatando como era o pequeno ramo. 500 fichas, menos de 100 de freqüência. Todo começo é difícil, mas muita água passou debaixo dessa ponte até chegarmos onde estamos agora, ainda engatinhando em estabelecer a Igreja de Jesus Cristo em BH.

Uma reprodução lindíssima de Joseph Brikey
Uma reprodução lindíssima de Joseph Brikey
Capela de Ijuí
Capela de Ijuí
Capela de Cruz Alta
Capela de Cruz Alta

Final de semana do dia 10 voltamos a Ijuí e Cruz Alta, onde tivemos uma Conferência de Estaca. É a região noroeste do estado e é ocupada por campos que nessa época estão no fim da colheita do trigo, começando a plantar milho. Ora dourados, mesmo quando já respigados, ora verdinhos, os pés de milho começando a crescer. Ficamos hospedados no Hotel Fonte Ijuí, onde se engarrafa uma das melhores águas do estado. Até a água do chuveiro é tida como "mineral". Um lugar muito lindo, onde o Dunga, aquele da Seleção Brasileira, foi sócio. É uma região bem mais rica que o sul. A imigração alemã deixou marcas. Grandes empresas tomam conta dos negócios e a população de maneira geral, parece mais preparada que no sul. Até a música na Igreja é um pouco melhor... Pouco, por que descobrimos ser essa uma fraqueza do povo aqui. Outro dia ouvimos um coral, melhor não dizer onde, que foi a coisa mais medonha que já ouvimos... Ficou no nosso ouvido retumbando... E os danados resolveram cantar 3 hinos na reunião... um suplício multiplicado... Nas reuniões da tarde limitaram-se a dois... Consideramos uma bênção!!!! Olhava do púlpito os missionários e a custo continha o riso. Um deles gravou... disse que não acreditariam se ele contasse. Tinha razão...

Chegadas: Sister Claudia, Sister Bernardo, Sister Pomazal, Elder Gerber, Elder Stoker, Elder Pessoa, Elder Holladay, Elder Jelte, Elder Killpack, Elder Favreau, Elder Vinicius, Elder Frei, Elder Fagundes, Elder Burton
Chegadas: Sister Claudia, Sister Bernardo, Sister Pomazal, Elder Gerber, Elder Stoker, Elder Pessoa, Elder Holladay, Elder Jelte, Elder Killpack, Elder Favreau, Elder Vinicius, Elder Frei, Elder Fagundes, Elder Burton
Saídas: Elder M de Oliveira, Elder Ribeiro, Sister Shepard, Elder Valença, Sister Nascimento, Sister da Silva, Elder Petersen, Elder de Araújo
Saídas: Elder M de Oliveira, Elder Ribeiro, Sister Shepard, Elder Valença, Sister Nascimento, Sister da Silva, Elder Petersen, Elder de Araújo

Hoje foi feriado e voltamos a região da Quarta Colônia, atrás de uma cachoeira... difícil!!! Depois de muita pesquisa achamos uma muito linda em Nova Palma. Mas a água... sei não...Saudades da Serra do Cipó... De qualquer maneira, se o calor apertar e a saudade também, será um conforto saber onde encontrar um queda d'água, ali com 33 metros... Bem bonita, mas que seca em janeiro e fevereiro, época de seca aqui. Trouxemos agnolini, geléia de pêra, massa fresca, cueca virada (gristoli), salame, lingüiça... e dá–lhe delícias coloniais...

Diogo nos dá notícias eventuais. Cada vez mais adaptado, cada vez mais sumido. Mas o tenho cercado para umas conversas rápidas no Google. Anda ainda apaixonado, mas agora convicto que não quer namorar... É, como avisamos a ele, uma complicação desnecessária, embora tão própria da idade... Temos tanto orgulho dele... Está se virando sozinho e arranjou um emprego como tradutor na BYU Television. O supervisor perguntou-lhe se acaso fazia jornalismo, pelo texto interessante que consegue elaborar. Agora anda procurando conhecer os muitos brasileiros que estudam por lá. Boa idéia para o futuro... Moças brasileiras!!!! É muito amigo de dois irmãos canadenses já mais velhos , a quem sou muito grata pelo ombro amigo. Domingo passado jantou com os Tanners, sempre tão gentis!!! Bife de forno e batata... contou-me ter comido demais!!!

Nathália segue fazendo sucesso por aqui. Essa semana recebeu uma condecoração no Colégio por ter tido comportamento exemplar e notas acima de 8 em todas as matérias chamado Alamar. Ficou toda cheia e nós também. Está contando os dias para ir a Belo Horizonte, fazendo planos de shows, jogo do galo, atividade com os jovens, dormir na casa das amigas, visitar os parentes...

Do que tenho feito de melhor é sair com os missionários. Outro dia, ainda com Elder Kennedy, convenceram-me a parar o carro e andar com eles a pé. Os compromissos que imaginaram ter deram errado e o plano B foi bater em portas. Nunca tinha feito isso até então com missionários... Eles são tão corajosos... tem ainda mais o meu respeito e amor. São objetivos e respeitosos, falam com quem deseja ouvi-los. Eu ficaria batendo papo, conquistando a confiança. Têm tanta certeza de que "os eleitos ouvem a Sua voz" que não perdem tempo... fiquei bastante impressionada. Como podem outros ser grosseiros com esses anjos? Eu me ofendia, eles não. Só seguiam. Nesse dia tive a chance de ensinar parte da primeira lição sobre Jesus Cristo, seu batismo e expiação a uma jovem senhora, que ouviu-nos com atenção. E só recebi elogios... até hoje não sei se tão merecidos assim... mas ficam faceiros, repetindo que ninguém tem "uma sister" como eles, que sai com eles e ainda ensina... Mas realmente foi uma experiência e tanto. Senti-me missionária de verdade. Voltei com os pés doendo, meus sapatos não tem o perfil necessário para andar, mas valeu cada minuto, eles se arrastando para me acompanhar. Meu testemunho cresceu ainda mais. É muito gostoso ouvi-los prestar seus testemunhos poderosamente. Emociona-me ainda hoje, mesmo quando estamos só praticando, ou seja, simulando uma visita. Fiz isso algumas vezes com eles e foi assim que me tornei mais segura para ensinar. É tão diferente ensinar alguém que nada sabe sobre o evangelho de ensinar na Igreja... Mas nossos missionários estão se tornando melhores professores, temos enfatizado muito isso, principalmente usando-se perguntas mais inteligentes. Estão ensinando mais.

A primeira condecoração com Alamar em terras gaúchas
A primeira condecoração com Alamar em terras gaúchas
P-day na cachoeira de Nova Palma
P-day na cachoeira de Nova Palma

Bem, acho que chega por hoje. Tenho a impressão que vou escrever só mensalmente... estou ficando repetitiva.