Capítulo 31
Tanto tempo sem escrever... queria chegar a 40 edições, mas começo a achar que não o farei... Parece que ao invés de simplificar, a vida vem se complicando e exigindo mais. Confesso que pelo menos parte disso vem das muitas atividades que comecei a desenvolver: Voltei a estudar Inglês, continuo fazendo Cerâmica, onde estou envolvida em fazer um presépio. Pouco humilde, reconheço que está ficando muito bom... Não me saberia escultora não fosse o incentivo da professora Ana Maria e da colega Rosita. Mas reconheço que tenho me sentido como que “iluminada”... capaz de trilhar caminhos nunca imaginados. Sinto-me a vontade no mundo e caminhando a passos largos, como defini outro dia em meu diário. O receio de que tudo isso cesse com o retorno pra casa tem me levado a pensar nos privilégios que perderei. Mas ainda temos oito meses, que parecem passarão como vento. Vamos correndo atrás dele! Aí vão nossas notícias muitas vezes muito atrasadas...



No último dia de agosto tivemos o privilégio de receber três famílias buscando os filhos: os Killpack, que vieram com mais quatro filhos, os Favreau, com Aaron e os pais que se hospedaram aqui e os Burton, com pais, um filho e um amigo. Em Setembro vieram os pais de Elder Tew e os de Elder Laney. Sempre tão solícitos, vem com o desejo de conhecer as pessoas que seus filhos aprenderam a amar e por quem são tão amados. Comem com eles, visitam-nos e se comunicam emocionados na língua do amor. Ao entrar aqui em casa, depois de três dias viajando, ouvi a exclamação surpresa: "Sua casa é tão grande!!! Muito maior do que as pequeninas em que estivemos..." Os simples e mansos da terra. No domingo uma cena impagável: Terezinha, que foi encontrada e batizada por Elder Favreau, levanta-se e emocionada, dirige-se ao Presidente Myrrha: “Eu não sei com quem falar, mas meu apelo é que eu possa dar um beijo e um abraço nesse meu filho querido que vai embora...” Claro, irmã Terezinha... vai lá... e ela grudou o guri... todo sem graça, mas feliz com o carinho. Eram muitos conversos especiais no Ramo Centro. Anexo uma foto, com alguns recém conversos, coisa de menos de um ano pra cá, gente especial como a família do Daniel e Cíntia, Edmilson, Sérgio e Nelta, Marisa e Márcio. Nossos frutos que colecionamos com alegria e amor no coração. Amo essa terra e esse povo.
Dona Emerita veio com muita animação depois de muita hesitação com a gripe suína. Chegou para a Semana Farroupilha e estivemos animados com bailes, saraus de poesia e canto, apresentações de dança e chula, sempre tão bem recebidos no Piá do Sul, nosso CTG do coração, onde sempre nos sentimos tão à vontade. Satisfez o desejo de assistir a um desfile do 20 de Setembro e participou de Bailes com música ao vivo e muito Xamamé, Vaneira, Bugio, Valsa, Xote, Milonga. Como diz Rodrigo: “no primeiro ano você acha engraçado. No segundo ano, pensa que é interessante. No terceiro ano ama tudo isso e pensa como vai ficar sem...” Chorei ao ver o Desfile pensando que provavelmente nunca mais...



Logo chegaram mamãe e Felipe Moreira. Flávio Pereira e Adriana foram nos encontrar em Porto Alegre quando fomos buscar os primeiros. Mamãe ainda aqui, veio nos ver Marcelo Rodrigues, amigo de adolescência do Rodrigo com a amiga Sandra. Ficamos felizes com as visitas. Em turma fomos a Quarta Colônia, onde almoçamos na Cantina de Dona Romilda. Tanta comida boa! Tipicamente italiana. Estamos aqui numa região como a de Bento Gonçalves: colônia italiana, vales e montanhas, riachos, ovelhas, hortências, parreirais e pequenas propriedades. Tudo muito lindo. Sempre vamos lá e sempre me emociono com a beleza.
Diogo vai muito bem. Sentimo-nos tão próximos como se nos falássemos a cada dia. Sei do nome de seus pesquisadores, sei do nome de seus conversos e outro dia até falei com a vizinha, que me garantiu que "a roupa dele é bem limpinha na corda... as camisas bem branquinhas. A casa é limpinha, bem organizada... nem todos são assim, mas seu filho não gosta de bagunça e sujeira." Pensei no espírito de Dona Pina!!!! Na Conferência Geral contei-lhe que me emocionei muito com a notícia do Templo de Fortaleza. Fiquei tão feliz por nossos fiéis missionários cerarenses... Gente simples que serve com o pouco que tem. Ele me relatou:
"Chorei igual criança ao ver anunciado o Templo de Fortaleza. É por isso então que chorei: estávamos próximos: chorando juntos."
Seus e-mails sempre emocionados e densos expressam o quanto tem aprendido nesse tempo. Conta de Mariana, de Campos, mulher simples e sofrida que mandou embora o pseudo-marido depois que aprendeu que deveria viver retamente. Assumiu os três filhos e vai dando a eles algo que dinheiro não compra: uma chance real de felicidade e completude. Todos os dias lê as escrituras com eles e outro dia, Elder Myrrha passou lá e deu com os quatro assentados no chão, luz de velas, lendo as escrituras. A lâmpada queimara e ainda que sem dinheiro não se passará um dia sem que se leia a palavra de Deus nessa casa. Mandei recado: diga a ela que mais do que uma formação religiosa, ela está dando aos filhos a oportunidade de ampliarem seus horizontes para colherem os frutos nessa vida. A saudade que sinto dele não dói, embora desfrutemos cada momento que temos juntos nos 40 minutos de internet dele a cada semana. Vez passada me disse: “Você não está on-line... Que pena... Adoro nossas conversas!!!” É que ele escreve e eu respondo, escrevo e ele responde... Nosso MSN via Myldsmail.



Sempre me sinto muito tranqüila quanto à sua segurança, mas contou-me que outro dia viu um tiroteio, com assassinato... De outra feita, saiu da rua estreita em que andava repentinamente, num salto, indo para trás do companheiro em fila indiana do outro lado. Do nada, veio um carro a toda velocidade, na rua em curva estreita. Perguntei: o que te fez mudar de lado? Ouviu algo? E ele afirmou: "não ouvi nada... Só fiz, porque nem deu tempo de sentir..." Sei que esses meninos são protegidos por Deus, que ama seus missionários.
Diogo é muito ruim de fotos. Do tempo de intercâmbio em Rexburg não temos quase nada. Do ano na BYU Provo, quase nada também, a não ser as fotos que copiei do Orkut (coisa ridícula!). Agora que ele não usa Orkut, fico a ver navios... ou melhor, a não ver navios, nem Diogo, nem nada. Reclamei. Tenho reclamado muito. E nada de fotos. Quando pressionei, recebi a seguinte resposta: “Vou ser mais diligente, mas sigo o Manual Missionário que diz: não use câmeras fotográficas durante os dias de proselitismo!=D
Se eu não fosse esposa de Presidente de Missão, não teria argumento, mas sabia o que responder: ”Não diz isso. Diz que não deve usar durante o proselitismo. Isso é diferente! E faz favor... Comece a fazer os exercícios de seis e meia da manhã com a mesma diligencia:)”.
Ele conta: "Tenho aprendido muito na missão. Sem duvidas, o maior abençoado disso tudo sou eu. Tenho aprendido a me controlar, em pensamentos, palavras e ações. Tenho aprendido a viver o evangelho, e aprendido sobre o plano de felicidade. Tenho aprendido que quero viver assim pra sempre, aprendendo sobre Cristo, conhecendo a Deus."
Semanas atrás eu senti que nem tudo ia tão bem. Só uma inquietação, mas tenho aprendido a valorizar esses sentimentos que tem me revelado tanto sobre os que amo e que estão longe de mim. Estou descobrindo um dom que o Senhor me deu de perceber as pessoas. Especialmente aquelas a quem amo muito. Sinto quando não estão bem. Nunca imaginei que fosse ser sensível assim e fico me perguntando se esse é um dom que me virá somente aqui ou se continuarei a tê-lo quando estiver em casa. Orei pelo bem estar dele e pela proximidade que ele tanto deseja com seu presidente de Missão. A resposta veio poderosa poucos dias depois, quando ele relatou de uma boa entrevista com Presidente Pickett, em que recebeu orientação e direcionamento para o trabalho que foi chamado a realizar como Assistente Viajante. A cada semana estará em uma área diferente. Vai ficar morto de cansado, mas já encontrou Elder Nascimento e Sister Bernardo, missionários retornados nossos que felizes retribuem nosso amor cuidando de nosso filhote. Pelo que sei, esteve em Vila Velha (até visitou nosso amigo Carlão de BH!), Vitória e Nanuque e Teófilo Otoni. Lembro-me da filhinha do Presidente Rais dizendo: "Manuque não, papai, Manuque eu não vou..." de tão longe que é... Hahahahaha! E ele vai... Quintal de casa, que China que nada! É bom que esteja ocupado. Sempre teve energia demais. Acho que é essa a intenção, embora o Presidente Pickett afirme que é um missionário talentoso e especial. Sabemos disso, não é Dogo? Vai estar muito cansado ao final das seis semanas previstas. São três bons missionários, treinadores de outros, chamados a passar uma semana inteira com uma dupla na área deles. Trabalham “até o pó”, como missionários costumam falar e orientam e instruem.



Rodrigo vai bem. Feliz e cansado. Andou muito alérgico nesses dias de primavera no sul. Continuamos em uma sintonia como não desfrutamos igual nunca em nossas vidas. Ainda temos diferenças que rapidamente são superadas. Ele tem sido sempre muito atencioso e gentil. Dobra meu coração!!! A temperatura que estava em 15 graus há 15 dias agora bate os 42, 44... Estamos derretendo! Tenho pena dos missionários que caminham nesse sol. Alguns já começam a me ligar com dores de cabeça... desidratação é tão fácil de acontecer!
Nat está bem também. Fez 16 no fim de outubro. Ganhou rosas de muitos, presentes... Anda arrasando corações. Mas fica na dela... Vocês sabem como é. Ela sente falta da amizade dos amigos do Diogo, aqueles nossos amigos que agora estão na Missão. E tenta ter o mesmo aqui. Não sei se dá certo. Eles acabam por se apaixonar. Então tem boas amigas, mas nenhum amigo... Um dos que tentou está na missão... apaixonado. O outro é do Colégio, ouvindo os missionários... Apaixonado. Fez uma festa para 35 moças... nenhum rapaz. Disse que não queria “essa coisa de ficar aqui em casa...” Terminou na piscina... uma farra. Fiquei feliz de conhecer as meninas do basquete, da sala, colegas do Colégio, boas pessoas. Às vezes é tão exigente que penso que temos que trabalhar isso nela...
Na missão tudo vai caminhando bem. Não obtivemos os resultados que esperávamos com tanta ansiedade para agosto. Foi um mês frio, chuvoso, com gripe apavorando os desinformados e mesmo os informados. Ainda assim, nossos “guerreiros de Helamã” tem feito um trabalho digno de nota e sentimos que estão cada vez mais preparados. Tentamos ensinar-lhes a ensinar, a aprender, a sentir e reconhecer a voz de Deus na vida deles. Lições para toda uma vida.
Como já comentei, Deus ama e protege esses seus filhos que o servem com tanta boa vontade. Tenho visto essa proteção acontecer aqui. No jantar de saída, geralmente perguntamos a eles o acontecimento mais divertido e o mais assustador... Desta vez ouvi o relato de um assalto em São Borja, dois bêbados, deitaram Elder Jelte e Elder Ribeiro no chão, a faca na boca de Elder Jelte... Levaram R$10, 00, dois guarda chuvas, o relógio... No dia seguinte, ligaram para o presidente que os instruiu: “se vocês sabem onde moram, vão lá e preguem o evangelho para eles. Convidem-nos a ouvir as mensagens. No mínimo vocês dirão a eles que não tem medo e sabem quem eles são.” Elder Jelte confessou: “Se não fosse o Presidente que me dissesse para fazer isso, eu não faria, mas eu fui e chegando lá, os dois se esconderam e fugiram de nós.” Nunca mais aconteceu nada naquela área. De Elder Bruno ouvi uma experiência interessante. Ele veio para a missão meio despreparado e com duas semanas aqui estava a se perguntar o que viera fazer. Num dia muito quente, enquanto andava batendo em portas, assentou-se no chão e orou. Uma oração curta, como ele disse. Na próxima casa, já desanimado, ele grosseiramente ofereceu a mensagem sem esperança de entrar. Para sua surpresa, a mulher os convidou a entrar e ajuntou toda a família para ouvir. Ele confessa que não sabia nada ainda, conhecia pouco do que deveria ensinar, mas quando ele prestou seu testemunho, a mulher lhe falou: “Eu te conheço. Sonhei com você há dois meses atrás. Estava em lugar com muitas pessoas vestidas de branco, um lindo castelo. Eu queria entrar, mas não podia. Você então me deu algo e eu entrei.” Ela foi batizada em Alegrete e o testemunho dele expressa reconhecimento de que com tantas áreas em que ele poderia ter sido mandado no dia em que chegou, foi enviado àqueles que esperavam por ele.


Um outro foi designado a começar a missão em São Borja. Andava pela rua quando um ciclista o parou e comentou: “Meu sobrinho está fazendo esse trabalho lá em Manaus.” Como ele se chama? o missionário perguntou. E não foi que era o mesmo missionário que pouco mais de um ano atrás ensinou e batizou Elder Jair? Agora Elder Jair ensinava a família daquele que o trouxe para a luz. Milagres que presenciamos todos os dias. Milagres num mundo que precisa de alívio para suas dores. Diogo se confessa cansado da iniqüidade do mundo. Há tanta desgraça por escolhas erradas... Essa semana tivemos o batismo de uma menina de 13 anos, já com um filho e tendo realizado um aborto no passado... uma tristeza... o alívio vem da certeza de que com o poder do evangelho ela ainda pode ser feliz e mudar a sua história mal começada e com tantos problemas.
Dias desses aí para trás falei com Stéfano Gatto. Imagine que alegria! Nunca pensei que fosse falar com ele. Mas é o Assistente da Missão Florianópolis e ligou por instrução do Presidente Queiroz que queria algumas informações. Já tem seis meses lá e ficará até o final da sua missão. Sei o quanto Sister Queiroz vai sofrer quando aquele filho for embora... aqui proibimos Assistentes com nove meses no Escritório!! Contabiliza muitos batismos e tem tido muito sucesso em seu progresso nesse tempo. Pude ver ao falar com ele. Lembramos tantos momentos doces de nossa vida conjunta. Falei-lhe de alma e coração. Também dei conselhos e compartilhamos as alegrias da obra missionária. Agradeceu-me pessoalmente por ter falado da Igreja para eles e não ter desistido. Emocionei-me. Claro... Agora mesmo sinto tão doce amor por ele!!! Poderia alguém desejar mais do que essa alegria? Recentemente ao ouvir meus missionários relatarem-me suas experiências mais especiais na missão, dei-me conta de que não contavam nada de si, senão das pessoas que ajudaram a trazer para a luz. Essa é a alegria que podemos ter na vida: servir a nosso próximo, colaborar na obra de Deus.


Estivemos no Templo com os dois casais da Missão e Sister Fletcher. São pessoas muito especiais, cada um a seu modo. Sister Sharp e Elder Sharp fizeram um excelente trabalho com os menos ativos e as fichas por onde passaram. Primeiro estiveram em Santa rosa e depois São Luiz Gonzaga e Santo Antonio das Missões. Agora estão em Santiago. São cidades onde a Igreja está há muitos e muitos anos e que retém muito pouco. Isso é, muitos que se tornaram membros somem de nossa convivência com o tempo. Os que ficam muitas vezes não os conhecem e infelizmente passam-se os anos sem que um contato seja feito. Elder Sharp, mesmo sem falar nada de Português (descobri que ele não fala em Inglês também), tem atualizado muitos endereços, descoberto muitos já falecidos, e mesmo desconhecidos a essa altura. Elder Laing e Sister Laing estiveram inicialmente aqui em Santa Maria. Como não falavam Português, Rodrigo achou por bem deixá-los perto de um centro universitário onde puderam ter aulas de Português para estrangeiros. Deram aula de Inglês e ela também de Música e Piano. Em princípio desse ano foram transferidos para São Borja, onde ainda estão. Ela tem mais de 20 alunos lá e em Itaqui. Está terminando o trabalho de preparação de muitos para tocarem nas reuniões. Há muito trabalho de outros que ficou incompleto, pelas próprias circunstâncias. Lembro-me que mal chegáramos aqui e senti que precisava ajudar esse povo com a música em nossas reuniões. Promovemos em fevereiro do ano seguinte (2008 e também em 2009) um Seminário de Música para as lideranças dos Distritos e Estacas e anunciamos que gostaríamos muito de melhorar a música aqui. Mas, realmente, eu não teria nem tempo nem recurso para fazê-lo. Muito menos o presidente Myrrha. Mas o Senhor sabe como fazer as coisas. E colocou-nos com o maravilhoso recurso de professoras dedicadas e experientes, capazes de ajudar: de cinco sísteres adultas, três tinham boa formação musical. Estou feliz em dizer que elas foram a resposta para os desejos de meu coração. Que benção!! A cada vez que pensarmos em realizar o bem, podemos saber que Deus vai à frente e abre o caminho para que não só suas ordens sejam cumpridas, mas para que o bem que desejamos realizar em nosso coração se faça possível. Outra lição para a vida.



Na semana atrasada estivemos em Campinas para o Seminário de Presidentes de Missão e esposas. Foi, como sempre, uma experiência especial. Temos a oportunidade de compartilhar assuntos e preocupações e principalmente a chance de ser orientados por nossos líderes queridos.
Elder Scott e Elder Jay Jensen além da Presidência da Área estiveram conosco. Elder Scott ama tão profundamente as mulheres que sinto-me uma rainha na presença dele. Numa certa hora ele perguntou se tínhamos perguntas e eu, que passei o ano inteiro entender o que ele quis ensinar o ano passado e eu não peguei, aproveitei a deixa. Sou mãe do Diogo e acreditem... mãe também da Nat que aqui é conhecida por perguntar demais e participar sempre... hehehehe... A fôrma é a mesma... No dia seguinte, deu um treinamento sobre o estudo das escrituras como ele faz. Prometeu-nos, mulheres, que o Senhor vai nos permitir lembrar desses momentos tão doces que gozamos na Missão. Nosso tempo está no fim e até demos nossos testemunhos de saída. Foi bom demais também ver os Presidentes de missão de nossos amigos quase filhos. Algo muito especial ter contato com eles sob os olhos desses que serão seus modelos por muitos e muitos anos. Só ouvi coisas boas e me emocionei muitas vezes ao perceber como fazemos parte uns dos outros. Estar no templo de Campinas numa sessão com Elder Scott, Elder Jay Jensen e toda a presidência da área e esposas não têm preço. Foi bom demais. Senti meu espírito fortalecido e minha barriga enorme... A comida estava boa demais! Voltamos na quinta. Mamãe foi embora na sexta. Trabalhou muito aqui, consertando roupas de nossos missionários, cortando toalhas velhas para virarem tapetinhos de banheiro, lençóis para toalhas de mesa. Ajudou-me uma montanha! Ela não pára... Vocês conhecem. E sai satisfeita, por ter feito algo produtivo.
Em conversa com Rodrigo contei as bênçãos que percebemos em nossa vida advindas da missão do Diogo e da nossa. Acho que temos que registrar nossa gratidão. Contei como benção termo-nos com saúde e fidelidade servindo ao Senhor, a Nat com boas amigas aqui. Contei nossa segurança financeira e também os planos tão reais de construção de nossa casa. Falamos de nossa união, da calma maior que usufruímos aqui. Falamos do progresso como casal, de nossa sintonia. Eu poderia acrescentar os dons artísticos que tenho descoberto em mim, o entendimento dos processos do ensinar, a inspiração para socorrer os missionários e até alguns amigos. O discernimento espiritual das necessidades de outros. Acredito que avancei muito... e sou grata a Deus por fazer-me mais digna do chamado com o qual fui investida. Para o Diogo, escrevi: “Persevere, filho! Só há alegrias no final para aqueles que escolhem certo. Persevere como tem visto seus pais fazerem. E aprenda. Você tem agora o potencial de aprender como nunca antes e nunca mais terá. Aproveite o Espírito que se derrama em inteligência pura sobre nós quando estamos a serviço de Deus, separados do mundo. Um grande privilégio!” Um grande privilégio realmente. Tenho meu coração transbordante de alegria.





