Capítulo 24
Ah, gente... eu dei uma sumida e de leve algumas amigas escreveram preocupadas se sumiria de vez... Na verdade, agora me ocupo em escrever para os filhotes apartados de mim. Mas fiquei feliz com a cobrança. Parece até que se divertem com minhas memórias. Ou estão curiosos para saber como vai se saindo nosso missionário lá pelos lados do Rio de Janeiro e nossa gatinha exportada para Salt Lake City, Utah. Coisa boa saber disso. E tenho tanto o que contar... De mim, de nós, de Diogo e de Nat. Coisas do coração.
Outro dia fomos a Quarta Colônia buscar carne em um acougue muito bom, coisa de 30 minutos de casa e já em área rural. Desses lugares paradinhos no tempo, com hortas verdejantes... a gente chega, bate palmas e sai com sacoladas de verduras colhidas na hora. Não sei explicar porque, mas me parece que o açougue lá é mais... fresco, sei lá. Na frente, uma fábrica de facas onde sempre levamos os missionários: levas e levas , agora que já somos velhos aqui. Descobri outro dia, para minha surpresa, que sei muito mais do que eles. Sou quase mais velha aqui que todos... O tempo passa. Bom, voltando; em frente, a fábrica de facas e um pessoal muito legal, disposto , sempre pronto para um bom papo. O proprietário levou Rodrigo ao fundo da casa, uma chácara praticamente; a fábrica encrustrada na construção da casarona. Daí a pouco volta ele animado: achara no quintal deles um pé de jaboticatuba bem no ponto. E eu era convidada. Escada (não Sintese) encaixada no pé da árvore e quem me conhece imagina meus olhos brilhando, quase tanto quanto aquelas frutinhas deliciosas. As mineiras são mais doces, mais suaves. As daqui , enormes e meio ácidas, mas valeu para matar a saudade de fruta que amo num pé. Eles riram demais quando falei que todo ano alugávamos um pé para chuparmos e carregarmos até o quanto nos chegasse. Minas dos pés de jaboticaba alugados... Ou de Seu Rubão, me acompanhando embaixo no pé, receio de eu cair, grávida do Diogo, 7 meses, barrigão, trepada nas grimpas para achar as mais doces...
Nossos dias de folga temos passado com os missionários do Staff. Na última saída nos despedimos de Elder Queiroz, filho de Ramiro Martins Silva e Cristina Queiroz, tantas ligações e amizade... Vieram buscá-lo. A visita dos cariocas foi bem divertida, com direito a bobó de camarão e comida árabe gentilmente trazida por eles. Dias de folga bem raros nesse tempo em que essa é a primeira semana (sem exigências, de segunda a sexta...) que ficaremos toda em casa em mais de 2 meses. São como nossos filhos e já fizemos picnics e churrascos. Estou bem próxima de Elder M Lopes. Ele é um bom amigo, embora meio ressabiado às vezes. Ainda sou uma mulher, ele um missionário... deve ser isso. Mas partilhamos boas coisas e tenho tido a chance de falar de coisas minhas para ele e ele das dele para mim. Isso é bom, porque não tenho muitas amigas aqui. E às vezes nem tempo para as que tenho. A vida de uma esposa de Presidente de Missão é muito solitária, difícil de entender, acaba que nossos melhores amigos são rapazes de 20 anos... é como bem resumiu Pat Frei, quando a vi no Seminário de Presidentes de Missão. Vou sofrer na saída dele em Dezembro...



Falando em Seminário de Presidentes de Missão... uma semana de sonho e muito bumbum assentado em reuniões sem fim que a gente nem vê passar. Fomos a Foz do Iguaçu, bom hotel (aqui na nossa área "não há, não há..." como cantamos no Hino da Missão). Elder Scott do Quorum dos Doze Apóstolos e Elder Neil Andersen, com Sister Andersen e a Presidência da Área (Elder Didier, Elder Soares, Elder Ellis e esposas), mais os 27 Presidentes de Missão e esposas, de domingo a quinta, quando voltamos. De quebra, a chance de rever os amigos Edson e Marcelo Lopes, ali como tradutores. Foi tão bom!!! Conhecemos Presidente e Sister Pickett, da Missão Rio de Janeiro Norte, onde Diogo está. Conversamos o bastante para perceber que é um homem bom, firme, seguro e muito amoroso. Coisa boa!! Encontramos nossos companheiros de grupo (Pres Leal, Pres Araújo, Pres Fernandes, Pres Tobias, Pres Castro Deus e esposas. Esse último confessou que pensando "em você, Alessandra, presa lá em Santa Maria, fico quase vendo um passarinho preso numa gaiola" (conhecendo minha história andarilha, por haver tomado "chá de canela de cachorro doido” , como diz mamãe, explicando porque gosto tanto de passear e andar). Fui falar disso para Elder M Lopes e ele declarou: " Sister , explica pra eles que você voa levando a gaiola!!!" Acho que dou razão a ele.
Aproveitei o pouco tempo que tivemos para passeios. Na quarta a tarde todos juntos para as Cataratas... coisa fabulosa... deixam Niagara Falls no chinelo. Ainda mais que chovia bastante há dias. Não pude deixar de pensar que aquilo é como o poder de Deus. Vem de onde não sabemos, constante, permanente, aflui em quantidades exorbitantes ou em pequenos volumes, de acordo com a passagem que Lhe damos. Poder! Impressionante foi ver a irmã Clara, mãe da Sister Didier, de 98 anos, andando por toda a trilha. Lembrou-me muito Vó Naná na vitalidade e prazer com a vida. Não bastasse, quando seguimos para o Macuco Safari, que é um passeio de Jipe seguido de raffting no Rio Iguaçu, abaixo das Cataratas (o que significa ficar molhados de cima abaixo), ela seguiu conosco. E Elder Scott junto, camisa ainda branca, calças sociais, sem gravata!!! Memorável! Na quinta de manhã fomos ao Parque das Aves na agradável companhia de Presidente e Sister Emerick. Coisa linda também. Fotos e mais fotos, bicadas de tucano e revoada assustadora de araras no viveiro enorme.
Foi um banquete espiritual nos muitos treinamentos sobre aprender a ouvir os sussuros do Espírito Santo, sobre estudar e aprender com as escrituras, sobre Jesus Cristo e a expiação. Tive momentos sagrados, que me lembrarei para sempre, quando os sentimentos profundos brotaram na minha alma. Um deles, sagrado para mim, foi quando Elder Scott leu a escritura que diz que a alguns é dado saber que Jesus é o Cristo. Ele não precisou mencionar explicitamente que se referia a si mesmo, como uma testemunha especial de Jesus Cristo que é, mas quando leu que a outros é dado acreditar naqueles que sabem, senti meu coração derreter de gratidão. Naquele momento eu cri um pouco mais! Cantávamos (...os outros, eu chorava), o hino Creio em Cristo e cada sentença daquelas fez um sentido tão real em minha mente e coração que configurou um quadro. Escrevo porque aprendemos com ele que devemos aprender com o que vemos, com o que ouvimos e com o que sentimos. E ainda, que devemos escrever o que sentimos. E mais nos será dado.
Tivemos ainda a chance como casal de ser entrevistados por ele, Elder Scott, que nos aconselhou de maneira tão terna e pessoal. Ele ainda nos falou às mulheres em separado. Explicou-nos porque não temos um "Manual da Esposa do Presidente de Missão". Afirmou-nos que nós, como mulheres, simplesmente sabemos, um conduto que nos liga diretamente aos céus. E é verdade. Tive que concordar com ele. Tenho sabido tanto mais do que imaginava saber... abençoou-nos para que estejamos seguras nas viagens, que tenhamos sensibilidade ao Espírito e discernimento, inclusive para perceber as necessidades de nosso marido e companheiro, para termos paz de espírito onde quer que nos encontremos, para que experiências que temos nesse tempo fiquem em nossa lembrança (fiquei animada agora que acho que estou quase senil... desmemoriada), para falarmos e ensinarmos com poder quando apropriado, para compreendermos a expiação de Cristo como nunca antes. Perto de Elder Scott toda mulher se sente uma rainha, uma princesa. Ele nos faz tão importantes, especiais... Fica melhor ser mulher! Elder Andersen, nosso amigo, foi também uma inspiração naqueles dias. Após uns 4 anos de serviço juntos quando Rodrigo era Setenta de Área, o casal nos conhece e nós os amamos. Com ele aprendi uma coisa interessante: a revelação de Deus pode vir sem emoção , somente como uma idéia clara à mente. Se isso conta, meu número de experiências espirituais aumentou bastante... sou sempre tão racional que acho que fica me faltando sentir mais no coração. Mas também Elder Scott explicou que , na opinião dele, na mente recebemos impressões práticas, coisas específicas enquanto que é ao coração que Deus se revela, numa impressão geral, que nos conecta ao Senhor (se consegui explicar adequadamente) .
A chance de almoçar cada dia em companhia de um grupo foi muito interessante. Pensei que teríamos a chance de nos assentar com Elder Scott somente uma vez, mas achei fortuito que tivéssemos sido escalados para a mesma mesa dele duas vezes. Qual quê! Sister Fernandes, olhando somente parte das plaquinhas, achou-se no meio de " muita gente desconhecida" e , sorrateiramente, trocou nossas plaquinhas de mesa com as dela. Esqueceu de olhar toda a mesa.. e lá estávamos nós novamente, ela mordida, arrependida da traquinagem. Um doce convívio com gente muito boa! Na volta fizemos escala em Curitiba, o suficiente para, com a gentileza de Elder Lemos, visitarmos o Templo de Curitiba. "Pedi e recebereis" e foi assim que conhecemos todo o Templo. Na Sala Celestial vivemos momentos de gratidão por tudo o que temos recebido. Colocamos simbolicamente nossa humilde oferta no altar do Senhor. Fiquei agradecida de poder "voar com a gaiola nesse dia."
Nat está super bem. As vezes nem acredito que é com ela mesma que estou tratando. Saída, resolvida, audaciosa, segura de si. Antes de ir, andou despertando emoções. Na véspera de ir embora recebeu flores de um admirador e um Garfield cheirando a perfume masculino. Ao rapazinho do Colégio, entregou de presente um Livro de Mórmon. "Leia, você vai gostar de saber em que eu acredito!" Achei interessante que agora tenha mais uma na roda. Meio precoce, mas faz parte do aprendizado. Coisa importante essa de aprender a apaixonar-se , desapaixonar-se, enamorar-se e viver a vida.
Está com a familia Wright: Wendy, Brad e quatro filhos : Conner (nosso ex- missionário, que ela diz que é tão calado que fala mais com ela que com qualquer membro da família... a mãe se assustou quando o viu falando aqui na Missão!), Amanda (que está em Jerusalém), Samantha (16 ), e Isabel (12). Cuidam muito bem dela, Wendy se desdobrando em caronas e passeios que vão ocupá-la. Realizou o sonho de um Halloween americano. Parece sempre feliz. Falamos ao telefone com frequência. Suas atividades são Aula de Inglês na Universidade de Utah (nível 6 de 8, Inglês para Estrangeiros.. danada!!!) e Seminário, aula todos os dias em Alta High School. Tem sido um esforço fazer as atividades na Bíblia em Inglês, mas tem aprendido muito. Ontem me disse que participou da aula a primeira vez, tão forte era o Espírito. Coisa boa! E no mundo pequeno em que vivemos, é da sala de Amy Christensen, irmã de nosso Elder Christensen. A mãe, muito solícita perguntou –me o que poderia fazer por ela e, oportunamente, pedi-lhe que lhe desse um bouquet de flores no dia do aniversário de 15 anos. A coincidência é que estávamos ao telefone com ela quando nossa encomenda chegou. Gayle Christensen escreveu-me feliz por ter sido saudada como seus pais, ex-missionários no Uruguai presam tanto: abraço e beijinho no rosto. Amigos e amigos... tanta gente disposta a ajudar... Sinto-me à vontade no mundo!!!



No fim de semana passado Michelle foi encontrá-la. Coisa de tia, fico feliz com esse cuidado. Levou-a a um jogo de Futebol americano, foto com jogadores famosos. Os Utes venceram no último minuto... Foram visitar Daniele, minha prima, que teve recentemente o quarto filho. Ainda deu tempo para "comprichas" como ela diz em Park City. Nessa quinta vai sair com Sister Ostler, nossa ex-missionária fiel que me liga sempre... à vontade no mundo!!!
Mamãe é um capítulo a parte. Depois de tanta aflição com aqueles diagnósticos sombrios, está tudo bem. Ela milagrosamente não tem nada!!! Para surpresa do oncologista, inclusive. Provou sua fé, nossa fé e agora parte para outra, emocionalmente curada também. Como Jesus sempre fazia. Obrigada pelas orações de todos vocês. Diogo escreveu-lhe: "Estou muito feliz em ouvir da sua cura, especialmente da espiritual... Na verdade, tenho notado que ser feliz é uma escolha, que a gente faz todos os dias! =D" . Confesso que essa cura será uma das maiores bênçãos que receberei em minha missão, algo pelo qual tenho orado e esperado por muitos anos. Parece que foi uma sacudida amorosa dada por um Pai Celestial que a ama muito e quer vê-la feliz e agradecida pelas muitas bênçãos que tem.
Diogo está super bem, como todo missionário que esquece de si e trabalha pelo Senhor. Está tão feliz que seus e-mails parecem vir acompanhados de sorrisos de satisfação. Quase o vejo naquela carinha de paz completa (o médico!). Chegou no Campo Missionário de verdade no dia 14 de outubro depois dos " 19 dias mais looongos da minha vida. Na verdade, não que o dia fosse longo, mas aqueles 19 dias pareceram um diazão, repleto de aprendizado, comida ruim e cansaço. Saí de lá na hora certa: estava a ponto de ter um pinote." Tem gente que gosta do ritmo do Centro de Treinamento Missionário, mas não é mesmo o perfil dele. Mas agitou aquelas paradas... fez amigos, conheceu todo mundo e se fez conhecido. Diz a filha da Sister Leal de Londrina, também missionária a caminho de João Pessoa, que ele parecia vereador em campanha política... Até posso imaginar...



Foi para a Cidade Maravilhosa e encontrou-se com Presidente e Sister Pickett. Ambos escreveram-nos encantados com a proatividade do Diogo, que ajudou a retirar as malas da Van, colaborou na cozinha, comeu Chilli (será que tinha salada?) e foi no dia seguinte para Rio das Ostras, sua primeira área. Do primeiro dia escreveu: "Acabei de chegar em casa e mal deu tempo de desarrumar a mala. Parece que aqui não se para MESMO. Estou muito animado. Minha casa é do tipo missionário mesmo: tem uma máquina quebrada, uma cozinha bagunçada e um banheiro imundo. Devo simplesmente começar a limpar... A casa está realmente muito bagunçada". Dos almoços escreveu: "Os almoços variam: tem comida boa, tem comida horrível... comi todas... =X hahah" Uma semana depois escreveu, para minha alegria e contentamento em ver-me mãe de um filho limpinho e organizado (isso expressa amor próprio e ordem mental, gente!): "O problema foi o seguinte: eu comprei panelas, coisas pra casa. Não dava, minha casa era um nojo. Eu e Elder Ribeiro limpamos TUDO hoje. TUDO mesmo... faxina geral... estou morto de cansado, foram 7 horas limpando direto, depois fiz um strognoff com macarrao... hahah". O resultado foi que ficou sem dinheiro nenhum esperando por um reembolso que nunca vinha. Aflita ao saber de R$5,00 para passar a semana, escrevi-lhe que estava orando para que alguém lhe desse um pão caseiro que seria seu lanche da manhã. Na semana seguinte vem o e-mail: "porque conforme profetizado por você, uma irmã me deu um pão caseiro... acredite: eu fiquei de boca aberta! =D" No treinamento que dei na Estaca Cruz Alta sábado passado falei às irmãs que muitas vezes elas serão a resposta às orações de mães que estão muito distantes dali. Deus cuida de nós. Tenho muita gratidão por essa certeza.
Sabíamos que Cabo Frio estava na área da Missão, mas que surpresa ser designado logo de cara para esse distrito pequeno que abarca Macaé, Rio das Ostras e Cabo Frio. O resultado é que na semana passada já me escreveu dizendo que foi a Cabo Frio destrocar a divisão com os Líderes de Zona... Coração meio apertadinho descendo na Rodoviária tão conhecida, andando pelo Centro, "mercado de Peixe inclusive". Como será sua visão disso tudo agora que não é mais um turista acompanhado da família em férias? E sem dinheiro no bolso, como todo missionário? Diz ele que vai passar o próximo p-day em Arraial do Cabo, a convite dos Líderes de Zona, como guia turístico. Tenho minhas dúvidas quanto a sabedoria dessa atividade...



Está trabalhando duro, no primeiro domingo na Igreja pediu um tempo e já conseguiu uma quadra de graça para uma atividade do ramo. Numa das semanas teve 8 pesquisadores na Reunião Sacramental e, sabedor da importância do apoio dos membros, tem lutado para ter a confiança deles. Escreveu: "Sei das minhas limitações, mas sei também do que eu posso fazer. Tenho ensinado com muito poder e espírito, às vezes esquecendo que tenho companheiro. Domino as conversas com membros, dei anúncios na sacramental, estou virando o ramo de cabeça pra baixo" . Já havia me dito mesmo que se sentia um missionário com muito conhecimento e pouca experiência. Mas essa virá com o tempo e com a fé que tem aprendido a exercer. Fiquei tocada com o que escreveu, de uma profundidade que tem me levado a ponderar sobre isso repetidamente:
"Lendo seus pensamentos sobre a expiação, decidi compartilhar algo com você que aprendi na minha aula de BoM. Em 2 Nefi 9, somos feitos filhos de Deus. Em outras passagens das escrituras, somos menos que o pó da terra: mesmo fazendo tudo que podemos somos servos inúteis. Pensando sobre isso, o que nos faz filhos de Deus? O ato infinito e eterno de amor demonstrado naquela noite no Getsemani. Como o sacrifício de alguém perfeito e imaculado, poderoso sobre a morte, pode nos tornar, filhos de homens imperfeitos, filhos de um Deus mais que perfeito? E mais, como esse sacrifício pode nos curar das dores da vida? Ele pagou por todas as dores e angustias, não só pelo pesar do pecado. Por isso, por ter passado todas as dores e angustias, ele nos entende e nos cura."
"Muito obrigado pelas orações. Tenho realmente sentido-me poderoso, com um poder absurdo para prometer e ver essas promessas cumpridas. Deus tem me dado conhecimento, acima do que eu mereço... O melhor: tenho visto o poder do sacerdócio agindo ativamente, cada vez mais. Sinto-me confiante ao prometer bençãos, pedindo que as pessoas abandonem empregos que trabalham aos domingos, vícios eternos, que casem ou que separem, prometendo sempre sob a autoridade do sacerdócio bençãos divinas. E essas bençãos se cumprem, sempre! O Senhor tem me honrado, o que para mim é uma honra impagável. Dinheiro nenhum traz a felicidade que tenho aqui, de trabalhar na vinha do Senhor."
Acho que poderia terminar por aqui... Não é paga mais que suficiente à ausência que agora sofremos?
Ando por esse estado lindo e sei que vou sentir falta demais das paisagens deslumbrantes, repousantes que temos aqui. Sempre bem parecidas, mas nessa época do ano, tudo verdinho, exceto o trigo dourado nos campos. Máquinas e máquinas colhendo antes que a chuva chegue e molhe os grãos. O arroz nas baixadas despontando verde claro, céus azuis, o calor começando a chegar. Aproximamo-nos da metade de nosso tempo aqui.
Mais que nunca sei que Deus cuida de nós. Pessoal e particularmente. Sinto-me amada, completa e feliz. Até a saudade que tenho não dói. É bom viver! Estou à vontade no mundo, porque esse é o mundo de meu Pai que me ama!












