Capítulo 25

O tempo por aqui vai passando, cada vez mais rápido e cada vez mais assustadoramente. Falei com Beth Mazzagardi a respeito e ela me disse: "depois que passa da metade, para descer a serra, é ainda mais rápido!" Fiquei apavorada. Estamos tão felizes aqui... o Senhor sabe o que faz e tenho tido alegrias inexprimíveis e uma união familiar inconcebível para quem tem filhos assim, à distância. Ainda tento entender como essas bênçãos de completude podem nos vir nas inúmeras ausências e infinitas saudades.

Dezembro foi um mês particularmente corrido. Tivemos muitas atividades e programações. Convidados, levamos nosso coral temporário de 40 missionários para cantar na festa de Natal do Hospital Universitário da UFSM no dia 19. Fizemos sucesso. A noite, ainda cantamos numa escola de Inglês, com um grupo menor. No dia 22 tivemos um Devocional de Natal na Estaca Santa Maria, muitos visitantes e quase 550 presentes. Os talentos de nossos missionários trouxeram um bom espírito. Dia difícil esse... passei a noite anterior no Hospital com Elder M Lopes, vítima de cólicas renais impiedosas. Vivemos juntos momentos de muita angústia mas que nos aproximaram muito. E nos levaram a experiências talvez sagradas demais para serem entendidas. Difícil explicar e definir os sentimentos de amor e união que desenvolvemos, um misto de amor de mãe e de amigo. Mãe para as horas de dor e amiga para as conversas, como ele tenta explicar.

Hospital Universitário
Hospital Universitário
Sister Laing e Sister Fletcher
Sister Laing e Sister Fletcher
Paciente com nosso gorro de Papai Noel: extraí um sorriso !
Paciente com nosso gorro de Papai Noel: extraí um sorriso !

Esforçamo-nos para dar a nossos missionários um tempo feliz, esse tempo em que é normal desejar e estar com as famílias. No início do mês tivemos Conferências de Zona onde fizemos cartões de Natal. Eu levei papéis coloridos e uma caixa de gravatas doadas. Ali eles escolhiam seus presentes para os amigos ocultos. E foi algo bem interessante ouvi-los expressarem carinho entre si. Ensaiamos hinos de Natal a duas vozes com toda a Missão, que cantou feliz da vida com o resultado. Eu também feliz relembrando meus tempos de Regente de Coral. Nunca tive tantas vozes masculinas... esperávamos que eles trouxessem mais do espírito natalino através da música àqueles a quem visitavam. Entregamos a cada um deles gorros de Papai Noel e tiramos fotos divertidas com cada uma das sete Zonas para mandar para os pais junto com uma cartinha em que relatávamos como é o Natal aqui e dando instruções sobre o telefonema que receberiam dos filhos. Grande dia esse!!! Falar em casa, todo mundo fica entusiasmado. Eu também, pensando que seria dia de falar com Diogo.

Em novembro escrevemos aos pais dos americanos sugerindo que eles mandassem pequenos pacotes de doces para dividirmos entre todos. E dá-lhe bobagens americanas, dessas que todo missionário brasileiro sempre sonha em receber. Fizemos 160 pacotes... um para cada, doces e uma boa meia (maior das necessidades de todo missionário sem exceção!!!) E mais 70 pacotes para aqueles que não receberam pacotes de casa. São tantos que nada recebem... Mas ficaram felizes demais. Graças a bondade de alguns sempre tão generosos. Entregamos numa grande Conferência com toda a Missão, um tipo Clube Campestre, onde passaram o dia se divertindo e praticando esportes. Novidade foi a presença de nosso amigo Gilmar Gatto, que veio buscar nosso amigo/ filho/ missionário Elder Gatto. Quem diria que a vida daria esse tipo de volta? Foi divertido tê-lo aqui, encantado com o espírito dos missionários e da missão. Quem não se encanta?

Pacotes!!
Pacotes!!
Somos o Correio da Missão
Somos o Correio da Missão
Na 4º Colônia
Na 4º Colônia

Dias antes estivemos na Quarta Colônia levando Gil pai, o casal Laing e Sister Fletcher, alguns de nossos missionários maduros (Casal e viúva de 68 anos), além do Staff, que era Elder Favreau, Elder Wageman, Elder Bueno e meu amigo Elder M Lopes, em dias de ir embora. Um bom almoço italiano (o de sempre... novidade só para eles) e visita a parreiral para comprar 50 quilos de uvas para os missionários. Foi o lanchinho que servimos: 50 quilos de uva e 15 melancias das grandes... Além de 60 quilos de sorvete como sobremesa. Tudo é gigantesco: comprei 1000 copos descartáveis e 8 garrafões de 20 litros de água mineral. Dá para imaginar?

Na véspera do Natal recebemos o mesmo grupo aqui, os sêniores e o staff, além de Fernanda e Gilmar Gatto pai. Tivemos um ótimo amigo oculto (bem simples, como devem ser as boas coisas do Natal), uma linda mensagem de Natal (com direito a um de meus hinos preferidos tocado no violão- presente de gente que me ama!) e uma ceia. No dia seguinte de manhã fizemos o que sempre fazíamos quando em BH: Saímos para cantar nas ruas para amigos. Visitamos muitas famílias, os vizinhos saindo nas sacadas com os filhos e máquinas fotográficas. Éramos um coral de 12 pessoas, uma flauta acompanhando. Estivemos numas 15 casas, foi ótimo. Ao final, subimos pela primeira vez o Morro da Antena, ponto mais alto de Santa Maria, retornando a nossa casa para um almoço com sobras esperando em seguida os missionários da cidade que, convidados, vieram lanchar conosco. Fiz uma mesa com tudo o que eles poderiam apreciar: chocolates, panetone, frios, frutas, frutas secas e castanhas. Cantamos e nos alegramos por estarmos juntos aqui nesses dias especiais para cada um de nós.

Noite de Natal
Noite de Natal
Cantando na Rua
Cantando na Rua
O Presidente pronto para dominar o mundo!!!
O Presidente pronto para dominar o mundo!!!

Foi tão bom falar com Diogo no dia de Natal. Ouvir a voz dele e a da Nat juntas... Isso é valioso para um coração de mãe. É interessante, a gente começa a dar valor a pequenas coisas. Ouvi dele que está descobrindo o quanto o pai sabe, o que não deveria ser uma surpresa depois de tantos anos de serviço na Igreja. " Tenho inveja dos missionários que aí servem. Eles são muito bem orientados: tenho me tornado um filho coruja! Tanto conhecimento que eu nunca soube que você tinha, mas que assim que chegar sugarei por inteiro!" Rodrigo tem a mais completa admiração de nossos missionários e não é a toa. Sabe liderar com amor, com equilíbrio e com conhecimento. A alegria que senti na sua voz me deixou emocionada. Era uma voz de plena felicidade, como eu sei que ele pode gozar por estar perto de Deus. Lembro-me que só de falar com ele em Provo sabia se ele estava lendo as escrituras ou não. Senti a bondade no seu espírito missionário. Sua primeira área foi justamente Rio das Ostras, menos de uma hora de Cabo Frio, ironia do destino. As pessoas de Rio das Ostras o amam, tiveram grande esperança de que ele não fosse transferido no início desse mês. E ele ficou. Deve ficar mais 3 meses por lá além dos 3 que já ficou. Está fazendo um ótimo trabalho. Teve já uns 10 batismos nesses 3 primeiros meses, resultado, como ele diz, de muito trabalho árduo e fé. Como pais cuidadosos, já mandamos 2 caixas para ele, foi seu aniversário no dia 14 de janeiro. Agora tenho no meu Orkut um monte de contatos de membros e recém conversos de Rio das Ostras. Vai ser bom o dia de encontrá-los e ver em seus olhos o amor e gratidão pelo trabalho de meu filho. Fico muito feliz com seu empenho. Mais do que com o seu sucesso, embora seu sucesso me dê grande prazer também. Mas sei que haverão épocas melhores e piores. O importante é saber que o Senhor aprova nossos esforços. Sempre. O tempo todo. Porque estamos dando o melhor de nós. Não melhor do que outros, mas o melhor de si e isso nem sempre é fácil. Mas quando fazemos com amor, tudo se resolve. Como diz um amigo o amor cura, consola, aconselha.

Missionários sempre felizes
Missionários sempre felizes
Batismos em Rio dos Ostras
Batismos em Rio dos Ostras
Olhando no Mar
Olhando no Mar

Nosso Ano Novo foi meio sem graça. Fomos para o noivado da Fernanda. Um lugar bem simples, eu social ,como estava durante o dia, mas blaiser e salto alto, bico fino. O chão de terra e uma pinguela para atravessar. Mas me virei e logo estava a vontade sentada do lado de fora da casa num banco desses de madeira que, se um levanta de um lado, você cai do outro. Pintado de azul. Conseguem ver? Pernilongo comendo solto... ainda bem que Fefis tinha avisado e eu passei Off e levei também. Quando as crianças começaram a chorar com os mosquitos, ofereci... Foi engraçado. Fila para aplicar!!! Fizeram um churrasco num quintal (pátio, para eles) emprestado. Gramadinho, cerca de bambu, um cavalo ao fundo. A mesona de madeira e os bancos dispostos nas laterais. Carne a vontade, quase um boi!! No final, a menininha que parecia uma onça no jantar, rasgando a carne com os dentes reclamou dor de barriga. A avó explicou: "Filha, você tomou muito suco!!!"... A falta de jeito do noivo só não era mais engraçada que a agitação da Fernanda. Tive que mandar ela respirar umas quinhentas vezes. O piá cada vez mais acabrunhado. Rodrigo se levantou e foi ajudar. Com custo ele falou: "Estou aqui na frente de todos para pedir a Fernanda em casamento. " E eu perguntei: Porque? Ele respondeu: "Porque eu gosto dela, a gente tá se gostando, eu amo ela." Só eu e seu pai puxamos as palmas!!! Colocaram as alianças e Fernanda pendurou–se no pescoço sem jeito do Isac. Na Igreja dela não se pode nem dar a mão... quanto mais abraçar assim... Saímos em seguida e viemos para casa ver os fogos da cobertura. Nada de especial, mas passamos a virada, eu e Rodrigo, sozinhos. Falamos de nossos planos para 2009. Quero desfrutar esses momentos aqui "que estão a se escoar". Dormimos em seguida. Nat passou o fim de semana todo com Lulu Bueno, João e Ana Júlia Bueno.. amigos de longa data agora morando em Provo e abraçando nossos filhos por lá. Voltou para casa dos Wright feliz de ter relaxado em “terras brasileiras”.

O companheiro
O companheiro
Noivada de Fernanda
Noivada de Fernanda
Com Lulu Bueno e Iara Gatto
Com Lulu Bueno e Iara Gatto

Nat brilhou em autonomia e desprendimento nesses 3 meses passados longe de casa. A familia Wright foi uma bênção e cuidou dela como de um dos filhos. Ela trabalhou como baby siter, ganhou algum dinheiro seu, experimentou uma sociedade muito mais endinheirada que imaginou existir, fez compras, ganhou muitos presentes e na despedida, Wendy, a mãe , até chorou. Só ouvimos elogios. Chegou no dia 09 de janeiro esperando participar do Encontro dos Medalhistas de Ouro da Obmep em Nova Friburgo, mas não irá. Está meio triste, mas prestou um testemunho sincero quando ouviu o não definitivo: " Mãe, orei tanto por isso que sei que se deu errado era porque não era o melhor para mim. E sei que você tentou o máximo. Confio em você." Fiquei feliz demais!!! Isso é o que o serviço a Deus tem feito por nossa família. Sou muito grata pelo que tenho agora. A oportunidade de servir de forma tão sagrada. Sinto-me amada pelo Pai e por muitos que bendizem meu nome. Que privilégio!!

No começo do mês estive bem preocupada como seria, nessa época de festas, estar sem Diogo (na Missão) e Nat (em Draper, Utah). O dia de montar a árvore de Natal foi um drama. Rodrigo sempre muito sem graça com essas coisas... por ele ficávamos sem. Sempre era uma festa de três, com hinos de Natal tocando e agora eu me via sozinha. Sorte ter meu anjinho Elder M Lopes por perto, que ainda que não se entusiasmasse tanto, me acompanhou. Mas ainda teve cena e entristeci de saudade e solidão materna. Mas ao final, no balanço geral, passei até muito bem por esse período delicado. O senso de ter realizado boas coisas, a companhia de missionários mais que especiais, Rodrigo ao meu lado, a chance de falar com Nat e ouvi-la tão bem, só boas notícias vindas do Diogo... fiquei muito bem.

A de Alta High School
A de Alta High School
Turma de Inglês na U of U
Turma de Inglês na U of U
“Baby Sitter” em Draper
“Baby Sitter” em Draper

A saída do dia 30 foi especial. Pela primeira vez levei os missionários para o Templo em Porto Alegre. Foi a saída de Elder Gatto e Elder M Lopes além de Elder Tinti e Elder Gomes e nossa primeira missionária que chegou conosco, Sister Freitas. Foi muito especial. Na noite anterior fizemos pizza e rimos muito e nos divertimos. E Elder M Lopes tocou violão. E cantou para mim. Aliás, vivia cantando para mim. Tudo o que falava ele lembrava uma música que encaixava direitinho. Tenho tanta vontade de cantar com ele agora. Mas quando na Van ele pegou o violão e começou a cantar músicas "do mundo" fiquei num incômodo tremendo. Não eram mais meu Elder M Lopes, nem minha Sister Freitas nem meu Elder Tinti. Eram André, Daisy e Rafael... afff!!! Mas senti-me tão amada quanto poderia sentir. Elder Gatto relaxou aqui também e fora do protocolo me deu abraços e beijos e fez massagem. Foi difícil dizer adeus. A sorte foi irmos ao Templo, lindo vê-los lá de branquinho, ficamos os 5 de frente para o espelho, nos amando. Foi bom demais!!! Eles tão gratos porque na verdade não teriam essa chance. Mas quero estar com muitos de nossos missionários em Salas Celestiais de Templos por aí afora. Não há nada melhor do que isso, exceto estar com Rodrigo, Diogo e Nat . Rodrigo nem quis pensar em ir. Quem conhece: "É longe, o dia inteiro viajando, vou ficar cansado, tenho que estar na Rodoviaria..." isso aquilo... E ainda me ligava: "Você deve estar morta!!!" Agora deu para me dizer o que estou sentindo. Será que 21 anos de casados autorizam alguém a isso?

A saída especialmente de Elder M Lopes que ficou 9 meses no Escritório e curou minha alma doída de saudades e ausências foi sofrida. Algumas poucas pessoas na vida encaixam-se na categoria de amigos de eternidade em eternidade. Gente a quem nos ligamos como uma amostra do amor puro e completo que só pode vir de Deus. A falta hoje é o preço de amar e se envolver. Podemos até escolher passar pela vida sem viver essas coisas. Diogo é que gostava de uma música que falava disso… Ele me pediu infinitas vezes para não chorar. Mas na véspera de sua saída chorei no carro, com mais 4 deles comigo e foi um mico: todo mundo parou de falar e ficaram na maior preocupação. Ele num olhar mais que reprovador dizia : "Viu , Sister? quando você entristece, tudo perde a graça por aqui..." Senti-me a mãe de todos mesmo. Lembrou-me como era em casa... eu triste, ou brava e acabou para todos... grande responsabilidade. No último domingo dele aqui saímos para visitar as famílias que ele batizara e ensinara. Que privilégio ler nos olhos deles o grande amor que devotam àquele que trouxe–lhes as boas novas de grande alegria. Um anjo mesmo, na minha vida e na de muitos outros.

Família de Mari
Família de Mari
Família de Marion e Gislaine
Família de Marion e Gislaine
Amigos de lá e de cá
Amigos de lá e de cá

Temos tido reuniões cada vez mais intensas e bem preparadas. A minha preferida é o Conselho com os Líderes de Zona: 14 deles, dois de cada cidade mais os Assistentes. São nossos líderes e os honramos e confiamos neles. Nesse último Conselho falamos de Registros e pedimos-lhes que partilhassem um testemunho escrito em seus Diários. O Senhor nos manda lembrar sempre. E nos dá muitos instrumentos para que lembremos sempre. Lembro que quando cheguei na Missão senti que deveria reler meus diários a procura de mim mesma. Das coisas que já fizera pelo Evangelho , para relembrar meu compromisso constante (ou quase) com a verdade. Fiquei feliz com o que encontrei e foi realmente uma experiência sagrada para mim: minhas escrituras pessoais. De mim para eu mesma, por meio do Espírito.

Rodrigo leu sobre seu compromisso de servir ao Salvador e seu grande amor por ele. Falava da alegria de ver seus conversos progredindo na fé. Escritos com muito poder e poesia. Estava em Jabaquara no primeiro dia com Dutra em maio de 1984.

Em seguida, cada Líder de Zona teve a chance de ler algo de seu diário. Relato aqui o que eles disseram. Até para ficar registrado essa experiência de compartilhar algo tão pessoal:

Elder Mellor estava com Elder Bueno em Uruguaiana e lembra-se de Elder Bueno perguntando se ele acreditava em revelação. Foram guiados meticulosamente a um beco onde ensinaram uma mulher que veio a ser batizada. Ela disse: "Normalmente não deixaria vocês entrarem, mas estou precisando hoje."

Momento especial: o Templo do Senhor
Momento especial: o Templo do Senhor
Saídas: Elder Gatto, Elder Tinti, Sister Freitas, Elder M. Lopes, Elder Gomes
Saídas: Elder Gatto, Elder Tinti, Sister Freitas, Elder M. Lopes, Elder Gomes
Chegadas: Elder Dos Santos, Sister Raphaela, Sister Velasquez, Elder Rossetti, Elder Jones, Elder Enout, Elder Crossley
Chegadas: Elder Dos Santos, Sister Raphaela, Sister Velasquez, Elder Rossetti, Elder Jones, Elder Enout, Elder Crossley

Elder Bueno chorava como criança. Sentiu pelo Espírito que, como o Presidente, vai um dia precisar desses escritos que nem sempre foi meticuloso em registrar. Contou a mesma história de Elder Mellor.

Elder Dickinson falou das dificuldades da missão e de como o sentiu o Senhor sempre a seu lado quando nada dava certo. Falou dos diários como relatos pessoais como escrituras.

Elder Coelho leu sobre 3 momentos: fim da transferência em Cruz Alta sem muito sucesso, orando por uma família, quando começa a ensinar a família do Joel e a alegria quando do batismo deles após Tânia ter ido a Igreja depois da atividade do Luau marcando ela mesma o batismo.

Elder Laney falou da vinda para o Brasil, quando sentou-se ao lado de um homem que estava sendo deportado. Conseguiram se comunicar sobre coisas espirituais a despeito das limitações de ambos com Inglês e Português. Aquilo foi pra ele um testemunho de que a língua não seria um obstáculo.

Elder Meneses em Cruz Alta contou quando orou por uma experiência e o Senhor mandou-lhe Vânia e sua filha Vanessa, que foram batizadas. Falou de ver o testemunho de ambas crescendo.

Elder Santana contou sobre a experiência com um menino atropelado em Santa Marta. Como foi abençoá-lo e o que sentiu ao ver a recuperação dele.

Elder Killpack emocionado relatou o desânimo em Rosário, após um dia particularmente difícil. Ouviu o Senhor lhe dizendo" Meu filho, tem bom ânimo porque estou contigo".

Elder Mendenhall falou sobre a primeira reunião Sacramental em que sentiu a real importância do Sacramento para purificar seus pecados. Desde então tudo mudou para ele.

Elder Eduardo contou de quando estava com Elder M Lopes orando para encontrar uma família. Batendo em portas acharam uma mulher cujo filho os ameaçou com uma arma. Saíram de lá tão assustados, sem falar nada, que 3 quarteirões depois uma outra mulher os viu e perguntou: “Porque vocês estão tão assustados?” Foi a chance de contar a verdade e convidá-la a ouvir a mensagem. Isabel foi batizada. " Até nos momentos difíceis Deus nos usa como instrumentos..." foi o que disse Elder M Lopes na ocasião.

Zona Cruz Alta
Zona Cruz Alta
Zona Alegrete
Zona Alegrete
Zona Uruguaiana
Zona Uruguaiana

Elder André lamenta ter escrito tão pouco, algo na primeira semana da Missão, relatando a vinda a nossa casa e quem era seu treinador, Elder R Lima. E promete se arrepender e mudar .

Elder Whitby contou como esqueceu-se de fechar a capela no dia da Celebração de Curitiba. Acordou de madrugada com esse pensamento, trocou-se e foi verificar ao local. Nada de ruim havia acontecido. Sentiu que o Senhor cuida das capelas e certamente de cada um de nós.

Elder Sabatini ficou chateado por nem ter um Diário. Seguiu o conselho dado em 3 Néfi "Escreve-as agora!". Registrou a conversão de Jorge, quando esse orou para saber se deveria ser batizado e recebeu resposta de imediato, assumindo o compromisso.

Elder Stocker leu sobre quando terminou o Livro de Mórmon a segunda vez em Português e da resposta que obteve da sua veracidade. Algo que ninguém pode tirar dele.

Elder Hendricks leu sobre seus sentimentos em Ijuí, numa transferência particularmente difícil. Contou de como orou pedindo caridade e sentiu grande amor pelas pessoas e mesmo pela cidade. E de como ao ler hoje os mesmos escritos sente as mesmas coisas.

Elder Fagundes também relatou a oração de Jorge, relacionando com a meta que fizera depois do treinamento de Sister Bernardo " Milagres são reais, quando se crê." Jorge foi uma resposta direta sua fé.

Depois eu li a experiência de fé que tive com Elder M Lopes. Não tinha pensado em fazer isso, pois ele me pedira para não citar seu nome e também para não chorar na frente de ninguém (impossível de pois de ouvir todas essas experiências especiais e compartilhar a minha já na saudade). Separei a experiência de ficar na Conferência de Zona de Santiago, acompanhando mamãe, quando ouvi claro o espírito me dizendo: " Você não vai amanhã, mas vai na semana que vem." "Ao Meu modo", era a mensagem. . Mas segue o que li:

"Nesse sábado ele começou a sentir dores e pediu ajuda. Só saímos do Hospital no domingo de manhã, já quase as 10 da manhã. Lembro-me que conversamos muito, a madrugada toda. A morfina o impede de lembrar muitas coisas, mas cantei para ele, li escrituras, compartilhei testemunhos e alguns dos Notícias ( e-mail que escrevo para amigos). Contei casos da adolescência , desfrutamos a oportunidade de estarmos juntos, ainda que na dor. Ele não queria ficar internado, pois teria batismos naquela tarde, bem como o Programa de Natal. Combinamos que caso as dores voltassem, nós o levaríamos de volta ao Hospital. Passamos na casa dele para que ele tomasse um banho. Quando chegamos aqui em casa, ele já estava se contorcendo em dores. Deitou-se, mas a dor só apertava. Eu já estava emocionalmente frágil, desatei a chorar ao ver-me tão impotente. Orei e orei, várias vezes; de joelhos, assentada. Então vi um milagre acontecer quando somente eu poderia exercer fé suficiente para fazer funcionar. Ajoelhei-me a seu lado e implorei ao Senhor por alívio para suas dores. Argumentei que quando ele quis ver uma estrela cadente, oramos e ela veio. E isso nem era tão importante. Pedi-lhe não só como amiga, mas como coordenadora de saúde da Missão, chorando enquanto ele sussurrava "Não chora, sister... por favor, não chore!" Não deu 5 minutos e ele adormeceu. Relaxou a mão na minha e dormiu a tarde toda. Acordou disposto a fazer sua parte no Devocional de Natal, onde leu a história do " Missing Baby Jesus" e participou do batismo de toda a família do Joel. Foram 5 batismos no domingo mais Inês no dia 25 e Willian ontem. Que bênção terminar a missão assim!!!

Zona Livramento
Zona Livramento
Zona Salgado Filho
Zona Salgado Filho
Zona Parque Pinheiro
Zona Parque Pinheiro

Naquele dia , com a dor dele, aprendi que posso orar com fé suficiente, ainda que imperfeita, para abençoar a vida de alguém. Aprendi que por vezes outros sofrem para que a minha fé seja edificada. E que a dor pode ser um veículo para a compreensão e a união."

Aprendemos, eu e ele , muito sobre fé e o poder da oração. Sobre a expiação e o sacrifício de Cristo. Foi um tempo sagrado para nós. Daí talvez termos nos ligado tanto. Aprendi sobre a expiação vendo o tanto que ele sofreu para que o meu milagre, o poder da minha oração somente ( só eu orei pelo alívio dele e aconteceu) fosse suficiente. Sinto-me em dívida eterna.

Eu e Elder M. Lopes
Eu e Elder M. Lopes
Conselho de Líderes de Zona
Conselho de Líderes de Zona

Tenho aprendido a ouvir o Espírito Santo mais e mais. Na verdade, acho que sempre ouvi, mas na minha agitação não parava para ouvir e prestar atenção. Dificilmente saberia relatar experiências como por 3 vezes ter levado coisas necessárias só por ter ouvido os sussurros do Espírito: levei uma caixinha de costura quando tudo indicava o contrário na viagem do Seminário de Presidentes de Missão. Precisamos para a bainha do terno que Rodrigo comprou de urgência. Levei um "t" de tomada num domingo na Igreja. Do nada. Precisei dele para ligar o órgão da Capela e poder tocar. Levei as escrituras para um batismo (pensando porque... não usaria...) e pediram-me para fazer o discurso no lugar de outra irmãzinha que estava escalada. Tenho visto meu testemunho crescer. Que coisa boa!!!

O verão está até ameno. Essa semana foi quente, mas temos tido temperaturas agradáveis e até um friozinho para nos lembrar a latitude em que estamos. O sol só se vai de vez às 9 da noite. E os campos de arroz e soja já estão verdinhos. O milho está sofrendo com a estiagem. Tantos campos de milho fracos, desmaiados pela falta da água na hora certa... Mas nós estamos bem. Saudosos de vocês, mas muito felizes nessa tarefa que é das melhores que já recebemos.