Capítulo 29
Nesse mês de Julho, mais precisamente no dia 11, fizemos aniversário de Casamento. Ganhei 22 rosas para comemorar os 22 anos. Passamos sem filhos, Nat em Campo Grande, Diogo na Missão. Descobri bem a tempo um restaurante bem romântico, até luz de velas (acho que o único em Santa Maria, na verdade no Recanto Maestro, distrito de São João do Polêsine), sequência de pratos: couvert, creme de batata doce com alho porró (que estava ótimo), risoto de tomate secos e rúcula, carré de cordeiro com batatas souté e petit gateau com sorvete de creme de sobremesa. Uhmmmm! Uma casa da época da colonização italiana, coisa de mais de 100 anos. Toda de pedra basalto cortada a mão. Lareira para o frio cortante. Lua cheia numa caminhada pela estradinha de terra bem rural , com direito a vacas mugindo. Vou sentir falta dessa “campanha” aqui. Estivemos lá na sexta feira a noite, dia em que há 22 anos atrás fomos jantar no Bexiga em São Paulo, eu e Rodrigo, depois da minha primeira vez no Templo e do Casamento Civil em Belo Horizonte. O Selamento foi na manhã de sábado, dia 11 de julho de 1987. Chegamos em casa e ele romântico foi ligar o I-pod para dançarmos, uma luta fazer funcionar com as músicas que queríamos... Sem contar que nem o passo que treinamos por 3 meses numa Escola de Dança de Salão ainda em BH ele conseguiu reproduzir... Aff! Como pode ser duro daquele jeito 22 anos depois? Mas é um excelente marido. Os homens têm muito a aprender com ele (que não seja a dança!). Sempre me tolera nos dias difíceis de TPM (tá pra matar ou tá pra morrer) e já aprendemos a contornar nosso mal humor e nossa irritação. Ainda tem coisas nele que me incomodam (e certamente vice-versa), mas é uma bênção viver ao lado dele nesses dias de trabalho conjunto na obra de Deus. Vamos nos lembrar sempre com carinho desse tempo especial de nossas vidas. Aprendemos muito mais sobre nossos limites e edificamos um relacionamento muito mais sólido e próximo. Ele é meu marido e meu amigo mais próximo!
Escrevi para Diogo: “Estamos ligados para a eternidade, graças àquela manhã de sábado com o Saul Oliveira como selador no Templo de São Paulo. Um dia sagrado na sua vida e na nossa!”
Diogo segue muito bem em Campos, mas agora a Missão é Brasil Vitória. O presidente mudou-se para lá e a área pega inclusive Teófilo Otoni e Nanuque em Minas, todo o Espírito Santo e Campos no Rio de Janeiro. Foi chamado como Líder de Zona, o que significa que terá uns 20 missionários sob sua direção. É prova de confiança do Presidente chamá-lo para essa responsabilidade. Na verdade, ele começou um programa de contato nas escolas enquanto na Ala Turf com o apoio intensivo dos membros, que aliás, o amam! Coisa boa de saber. Agora vai continuar o trabalho na Ala Guarus I. Estamos muito ligados... sinto que esses e-mails que agora trocamos como missionários que somos serão de grande valor no futuro. Expressam nossos sentimentos mais profundos em relação a coisas da eternidade, um tempo de grande sensibilidade espiritual. Olha que bonitinho o que escreveu para o pai:
“Querido Pai,
Conforto é a melhor palavra que descreve meus sentimentos ao ler seu e-mail. Todas as vezes que me escreves com o coração voltado para o que escreves, sinto o poder que há nesta historia de família eterna. Vejo que não é brincadeira, mas creio que posso tentar registrar aqui alguns sentimentos.
Tenho estado bem sim, de fato. Na verdade, ao lidar com minhas dificuldades, tenho descoberto que não sou o super-homem. O descobrimento de minhas fraquezas tem-me permitido trabalhar nelas, lutar contra elas, e vencê-las...
‘ ...Recebi ontem, através de uma ligação, a noticia de que a presidência dos rapazes de Rio das Ostras conta com 3 batismos meus... =D Fique muito feliz. A maior parte dos conversos daquele pequeno ramo está ainda ativa. Eles agora comprarão o terreno da capela.
‘...Pai, te amo muito. Tenho orado por vocês, e pelos 200, que virão! Agradeço sua preocupação. Muito obrigado por tudo. Acho que o que eu mais queria era ter a oportunidade de me aconselhar com você no telefone, nesses dias de grande trabalho.”
No último domingo de Julho fez um serão sobre os frutos da obra missionária para a Estaca Campos, a convite do presidente da Estaca de lá. Contou sobre como meus pais conheceram a Igreja, uma família pequena de 3 filhos... hoje 40 anos depois somos muitos e crescendo! (Anexei o discurso dele e também as fotos da ‘pequena família” ... curiosidades!). Mais de 350 pessoas presentes. Estava com razão preocupado, mas relata que tirou de letra (quem conhece sabe...), mesmo quando bateu o pé nas ligações do computador e data show e tudo caiu... Como pais ficamos preocupados com essas responsabilidades tão pesadas vindo tão cedo. Confiamos nele, mas eu mesma passei pela experiência de receber sobre os ombros pesos que deixaram minha janela de vidro bem fininha. É bem pesado... às vezes seremos julgados por nossa inexperiência. Sugeri uma lição duramente aprendida (se aprendida...): Mantenha -se ao lado do Senhor e na dúvida, não ultrapasse.
De Campos relata:
“Terra de ninguém é Campos. Outro dia teve uma festa na porta da nossa casa. Minha janela e do E Freitas (que eu amo cada vez mais) é de frente para a rua, a uns 150 cm da calçada. Por fim, eu chamei a polícia para lidar com o barulho. O guarda que me atendeu ouviu o problema com descaso e ao fim declarou: “O que é que eu tenho com isso?” Depois, eu fui explicar o que ele tinha com isso: “na minha terra tem uma lei que proíbe som alto depois das 10 da noite” – já eram 1:30 am. Ele então me respondeu: “volta pra sua terra” e desligou o telefone.... eu dei risada. “Aconteça o que acontecer, desfrute!” Todos os dias quase sou atropelado enquanto ando na “CicRovia”, por motos que fazem retorno nela.”
Lá ninguém fala o L, trocam por R. Assim cicrovia, Cláudia é Cráudia e por aí afora. Fazendo um contato foi anotar o nome da Creide... Ela corrigiu: com “L”... Ele então perguntou: afinal, é Creide ou Cleide? A resposta veio rápida: “Escreve Cleide, mas fala Creide!” Do companheiro que na verdade deixou essa semana ele conta:
“Eu e Elder Freitas continuamos em lua de mel. Ele está se tornando um mini-eu. Interessante ver isso. Eu sou um mini-vocês, ele é um mini-eu. Ele é um mini-vocês.”
Tive quer responder: MIni- vocês!!! Já temos tantos por aí... Ah, filho... essa é a mágica!!! Quando tentamos ser o que Deus quer, temos seguidores não por causa de nós mesmos, mas porque somos de certa forma limitada o espelho do Salvador. Que coisa boa ver isso!
Nat viajou em fins de Junho para ficar 10 dias fora de casa, primeira vez assim. Foi selecionada para a equipe de Basquete do Colégio Militar de Santa Maria e disputou os Jogos da Amizade da Área Sul em Campo Grande (Curitiba, Porto Alegre, Campo Grande, Brasília e Manaus, que não compareceu). Mas ela é tão centrada que não me preocupei. Logo pediu-nos que arrumássemos alguém para levá-la a Igreja no domingo. Fizemos nos conformes, autorização para um bispo da região, militar e com filhos ex alunos... ligamos na cara de pau... mas não somos estrangeiros...temos amigos e irmãos que nem conhecemos. Sabe que essa é uma das maiores bênçãos que computo ao Evangelho em minha vida? Bem, ficaram de buscá-la, tudo acertado com o Anco, o treinador, mas o "responsável geral", Major Wesley, encrespou com a saída dela "porque ela não avisou na véspera, conforme solicitado". Levou a pobre para um city tour... ela odiando e me ligando na Igreja... Eu liguei pra figura e “lavei ele” ... 40 minutos... esqueci que sou Sister Myrrha. A Alessandra de sempre aflorou...estou até com medo... Argumentos afiados e recuperamos o almoço e ela ficou até de noite na casa deles. Algumas coisas inadequadas aconteceram, mas Nathália sabe se portar e escolher amizades saudáveis que vão apóia-la no certo. Sempre criamos nossos filhos com liberdade para experimentar e saberem por si mesmos o que é bom e o que não é. Focalizamos em bons amigos e pais que ficam de olho... não nos descuidamos nunca deles! A viagem longa foi amenizada por paradas estratégicas em quartéis militares no caminho, sempre muito bem recebidos. Ainda passaram em Bonito e encantados com a beleza do lugar visitaram o balneário municipal. Pagamos R$5,00 para essa entrada... e só! Com todas as chaturas, o Sistema de Colégio Militares tem sido uma bênção na nossa vida. Recomendo.
Está perfeitamente integrada a Santa Maria. Multiplica-se em mil atividades inclusive com as amigas daqui que são ótimas. Outro dia me surpreendeu com a declaração que vai sentir falta daqui e desse poder ir e vir, das amigas da Igreja na idade dela, da capela onde vai todos os dias (beata!!!!!), do Basquete no Colégio onde se dá bem com as gurias do ensino médio que treinam com ela. Lê as escrituras todos os dias, sem falta, e também as lê em Inglês. Além disso, tenho ouvido Harry Potter em Inglês soando do I-pod enquanto se prepara para dormir. Um Inglês britânico que ela adora... e que vai aperfeiçoando o seu já tão perfeitinho e tão bonitinho.
Tivemos um dia para as sísteres há algum tempo. Foi muito interessante vê-las reunidas e falamos muito sobre Arbítrio. Cada pessoa tem quem saber que foi feita responsável por Deus para guiar a sua própria vida. Sempre digo a elas: Não podemos “ desmaiar” no colo do primeiro príncipe que passa e acordar anos depois perguntando-se onde aquele sapo nos levou. Trabalhamos o tema em discursos e atividades e produzimos quadradinhos que resultaram num Quilt que vocês podem ver na foto... ficou tão lindo! Sister Rose, uma americana muito tímida, foi a organizadora. A produção final foi conjunta no Escritório, no p-day delas e a senhora da loja que vendeu o tecido ficou profundamente impressionada. Minha amiga Sister Fletcher foi transferida para Santo Ângelo. Antes de ir, encerrou as atividades com seus muitos alunos aqui em Santa Maria, seus e alguns deixados por Sister Laing que foi há meses para São Borja. A audição musical foi bem interessante e foi bom ver Doralina, uma senhora na casa dos 40-50 tocando tão desenvoltamente... o começo foi tão difícil! Sister Fletcher é uma mulher fantástica. Tantos problemas pessoais e uma atitude sempre tão positiva. É muito friorenta, então onde vai, carrega um cobertor e um aquecedor... a casa de Santo Ângelo não fecha as janelas, sente-se a perfeita pioneira, toda noite faz pra si uma tenda sobre a cabeça... Ri demais!!!
Estamos começando a receber visitas dos missionários que já se foram. Já apareceram Elder Nascimento, do Espírito Santo, Elder W Ferreira de São Paulo, Sister Miner, de Las Vegas e Sister Rosa, de Campinas. Essa semana chegou Elder Fowler, de Salt Lake. É tão bom vê-los encaminhando-se na vida... Há outras promessas e outro dia Elder Kennedy esteve por pouco para vir aqui. Passamos um bom tempo ao telefone planejando passeios por esse Brasil lindo. Embora tenha furado, me diverti demais ...foi engraçado quando aquele vozeirão todo me perguntou: “será que tenho idade para alugar carro aí no Brasil ( Nos EUA 24 anos...)? Tive uma crise de riso... Ele é muito novinho... 22 anos.. pode mesmo ser meu filho. Ás vezes me esqueço disso. Ajuda-me a ter paciência esperando pela maturidade deles. Ricardo esteve em viagem com a família para Salt Lake City e prova de que o mundo é mesmo pequeno, entre conversa vai e vem, descobriu-se que o homem que oferecera ajuda para tirar uma foto da família na Praça do Templo era nada mais nada menos do que sogro de nosso Elder Hurst... E lá se foram eles para um jantar com a família... Elder Hurst e Heidi tão felizes em tê-los. Heidi é uma boa moça. Trabalha no Costco, um lugar que amo para comprar e diz que a cada dia que vai trabalhar, se lembra de mim... Quanta amabilidade nos une... uma benção e uma alegria ter amigos assim , que cuidam de nós por todos os lados. Serão os próximos a vir, pelo menos um desejo.
Elder André que foi Assistente do Presidente se foi em fins do mês passado. Junto com mais 12, inclusive Elder PC Santana de Sete Lagoas, Elder Sabatini que vi chegar um menino assustado... achei que nem ficava... saiu-se muito bem... tornou-se um Líder de Zona. A cada grupo que se vai, parece-me ainda perder pedaços. Falei sobre isso outro dia com Elder Kennedy; perguntei-lhe se os sentimentos de vazio e perda ainda ficam quando voltamos às atividades corriqueiras da vida. O que será de mim e meu coração quando estiver em Lagoa Santa ? Será que ainda vou ficar nessa falta que permeia todo esse tempo tão rico da minha vida? Outro dia voltei ao assunto com Elder Bueno. Ele me certificou de como se sente amado por mim de modo individual. Realmente, amo a cada um de modo pessoal e único. E a experiência toda é completada por tudo que se junta nesse tempo e nessa proximidade e nesses afastamentos.
Estamos bem com relação à gripe aqui: suína, tipo A, N1 H1... qualquer coisa. Sinto que o Senhor me orientou bem antes disso tudo. Hábitos e costumes já bem enraizados na missão. Já distribuía álcool gel, instruía sobre lavar as mãos, comer frutas, tomar muita água.
A maioria das gripes que os missionários estão tendo é mesmo Influenza A, segundo reunião que tivemos com Dr. Felipe de Camobi, um médico novinho e tão dedicado. Ele muito preocupado. Eu nem tanto. Somente mapeamos os asmáticos e os cardíacos ou diabéticos, que são o maior grupo de risco. Tudo vai bem, estou confiante que não teremos problemas. Os missionários são fortes e são abençoados demais. Quando a gripe não se complica, ela passa como qualquer outra. Mas tenho recebido em média umas 3 ligações por dia de missionários com dores no corpo, resfriados, gripe, ou dor de garganta, ou muita tosse. Aquilo que já era um pouco complicado, piorou com a chegada pra valer do frio. Semana atrasada quando fui levar Nat na escola o carro marcou -0.5 graus centígrados. É frio demais! Passa-se o dia gelado, a despeito das tantas roupas que no fim do dia estamos cansados de carregar. Meus ombros doem de cansaço do peso dos agasalhos de lã. Já essa semana fez 30 graus, por conta do vento Norte que soprou inclemente e agora chove sem parar. Mas o peso da mídia irresponsável tumultua as cidades e São Gabriel, Rosário, depois São Borja, agora Uruguaiana sucederam-se em proibir as reuniões públicas. As reuniões da Igreja realizadas em pequenos grupos nas casas dos membros. As escolas, como em todo o Brasil, com aulas suspensas. Insustentável mesmo deixar as janelas abertas para garantir a ventilação necessária.
Cada vez mais concluo que somos um povo deveras interessante. Semana passada chegou um missionário americano, que logo manifestou desejo de ir embora. Havia sido mandado para São Borja com Elder Marinho, um rapaz simples e muito doce, professor de dança de salão como profissão antes da missão já tardia. Mas nada convencia o menino a ficar. “I want to go home. I can´t do that... I´m done...” Ok... It happens. So, decidimos ligar para os pais, permitindo que se aconselhassem mutuamente. A conversa em conferência cortou o coração: os pais tão aflitos.. desejando enormemente que o filho ficasse... por um amor disposto a sacrificar. Também gostaríamos, mas todos somos livres para fazer o que nos aprouver e foi embora. Ainda essa semana, depois de uma quarentena de 8 dias com catapora, retido em casa em Alegrete, recebi uma ligação de Elder Ferreira onde me contava estar com somente mais 5 bolinhas com casquinha... Tudo acertado... estaria liberado com a queda dessas. Mas ainda argumentou: “Sister, tem uma família, que estamos ensinando e todos lá já tiveram catapora... Posso ir? Deixa, deixa, por favor..” Quando disse sim, ouvi gritos eufóricos de alegria na casa de 4... “Ai sister.. .você fez feliz uma criança!” Fiquei tão ...desarmada com tanto entusiasmo em sair andando a pé nesse frio tão duro, sendo muitas vezes rejeitado... um rapaz tão simples... tanto respeito senti naquele momento por seu desejo de servir que mandei um beijo... coisa que não costumamos fazer nem por telefone... ele meio sem resposta do outro lado... Mas esse é o povo com quem convivo: gente que quer fazer o bem, que tem valores muito diferenciados do mundo. Vou aprendendo cada vez mais! Como diz Sister Freitas: “Nem quero ver você no ano que vem, sister!!!”
Sábado dia 25 de julho estivemos em Porto Alegre. Foi uma experiência nova estar com a Caravana da nossa Estaca no Templo. Para minha surpresa (e secretamente desespero!), encontramos também os membros de Alegrete e Livramento... E aquilo que já é difícil, conhecer tantos de tantos lugares como eles nos conhecem - luta inglória, porque somos um casal e ainda com plaqueta que nos identifica na lapela - tornou-se um desafio ainda maior. Lá pelas tantas identifiquei a senhora a meu lado como esposa do Presidente da Estaca de Livramento... que constrangimento! Mais de meia hora de papo pensando-a em Santa Maria!!!
O melhor foi o Selamento da família de meu amigo Nego- o Lanterna Verde- que generosamente me chama de Mulher Maravilha. Elder Hurst estava em Livramento quando bateu à porta deles. Não aceitaram a mensagem e não quiseram mais ouvir os missionários. Elder Hurst foi transferido meses depois para Santa Maria, onde veio a ser Assistente do Presidente. E não é que batendo em portas acha de novo a mesma família? Miriam e Rafael surpresos... “como vocês poderiam nos achar aqui em Santa Maria? Quem deu o endereço?” E na verdade só o Senhor sabia que àquela altura o casal estava pronto para receber o evangelho e mudar a sua vida. Aceitaram as lições, casaram-se , ficaram fiéis e foram selados, eles e mais 5 filhos , para toda a eternidade. Novamente aquela história de ser uma questão de vida ou de morte. E foi de vida, que coisa boa estar com eles num momento tão sagrado. Queremos mais dessas chances, de participar do selamento das nossas famílias, aquelas que estão em nossos cestos.
Aliás, a foto que postei no Orkut e Facebook de nosso passeio por Porto Alegre fez sucesso. Muita gente se impressionou com o salto que dei. Na verdade, mais leve alguns quilos, sinto-me muito bem comigo mesma e pronta para atividades "atrevidas". Foi um fim de semana muito divertido. Fizemos muitas coisas em Poá. A Nat bem feliz e confesso eu também ) em estar em um verdadeiro Shopping, com opções de compra... Aff Santa Maria... você ainda é pequena demais para gente de cidade grande (somente nesse aspecto.. no mais, viveria feliz aqui para sempre sem o trânsito que devo me preparar para enfrentar em breve).
Tiramos um tempo como família para passear e aproveitamos a cidade e a exposição dos franceses no Margs. Alcançamos um orientador, professor de História da Arte, que nos deu outra visão do movimento artístico francês no século XIX e XX. Nathália tão interessada... fiquei feliz de ver a sensibilidade dela para esses assuntos. E a compreensão de que nem sempre temos que "entender" para apreciar, mas que podemos julgar o que é adequado e o que não é, ainda assim.
A cada vez que tenho uma experiência dessas com nossos filhos, fico feliz de pensar que pelo menos essa parte fizemos: prepará-los para apreciar o belo e o que permanece como bom. Como diz Diogo, que a despeito de minha insistência, nunca concordou em tocar os hinos: “Não toco os hinos e me arrependo disso. Mas não me arrependo de ter que me arrepender. Me julgo até bem sabido musicalmente...” Isso aí... sabidos... há tanto de bom no mundo... precisamos ser sabidos... procurar essa proximidade com "Tudo o que for bom, louvável ou de boa fama". Mas não se deve exigir tanto. O que faz a diferença é o passar de muitos anos perseverando. Quando penso nas coisas que já vivi, nos chamados que já tive, nos muitos amigos que temos e nos meus mais de 5 mil nomes da historia da família, sei que foi o processo e não o fim... O tempo, e não os momentos. A constância e não a intensidade.
Continuar no caminho reto e plano... embora estreito e apertado.
A distância tem o poder de aproximar às vezes, acho que principalmente quando a ligação é profunda e auto-suficiente. É uma lição difícil essa, mas assim tenho me descoberto muito na ótica de minhas amigas e gente que me acompanha há anos. Recebo feed–backs que trazem lucidez ao momento atual, mas principalmente iluminam a imagem que perspasso ao longo de anos. Saber-me reconhecida por quem me encontrou agora, já caminhada nos anos e nas experiências da vida, é interessante. Mas ser avaliada por gente que caminha comigo há anos e anos... algumas há mais de 30 anos e ouvir algo de consistente me toca. Não quero ser mal compreendida... não digo isso com orgulho , mas sem dúvida o auto-conhecimento é uma de nossas buscas mais primárias. Cláudia é amiga de longa data... há 5 anos mora em Governador Valadares, também exilada. Nossas conversas saíram do terreno das firulas externas para a essência interior. As conversas densas nos contam sobre nós mesmas depois de 40 anos de amizade e de mim diz: “Sabe porque é difícil ver progressos em você? Porque para mim você sempre foi o que é hoje, muito decidida, sempre correu atrás do que queria (...), muito convicta das suas crenças religiosas, com um casamento estável, ótimos filhos (...)Acho que você nasceu meio pronta, digamos assim (pelo menos na minha ótica).
No ultimo Notícias recebi retorno de outras boas amigas. Marcinha (33 anos como amiga) escreveu: “Que coisa mais gostosa é ler suas notícias com todos os detalhes que lhe são tão peculiares (...) Tão bom saber que você está feliz e que este chamado lhe tem feito tão bem. Sou muito, muito, muito orgulhosa de você, Alessandra. Muitas coisas que tenho conseguido fazer na minha vida eu me lembro de você.” E agradece-me por nunca ter desistido de fazê-la despertar. Lúcia Faria, que não me escreve nunca, me disse ao telefone que muitas vezes tromba comigo em muitas coisas que faz. Quando perguntei da unidade da Igreja a que pertenceremos, me garantiu: “Não se preocupe. Você veio ao mundo para edificar pessoas. Fará isso em qualquer lugar.” Que responsabilidade! Que perigo isso! E se trombar comigo para o mal? Mas garantem que não, como diz Madlyn Tanner, mãe de Liz e Charlotte, amigas americanas da infância e sempre tão prestativas: “It is such a special time when we receive your noticias and can read them aloud together and savor each and every word! You truly are a remarkable woman and we wholeheartedly agree that "you are not normal." You are a supernormal, Super Woman!” Fui promovida a Mulher Maravilha, como diz meu amiguinho kkkkkkkkkk!



Ana Paula, uma amiga novinha que fiz em Santo Ângelo e numa sentada leu todos os Notícias me disse:
“Eu via as esposas dos Presidentes de Missão de uma maneira diferente; apenas como treinadoras das irmãs em Conferências de Distritos/Estacas. (...) Agora posso entender por que os missionários te amam tanto e sentem tantas saudades... você cuida deles como se fosse a própria mãe. (...) Espero não ser apenas amiga da conta de 3 anos, pois tenho aprendido muitas coisas com você que vão além dos treinamentos formais.”
Ainda bem que a racionalidade da Cláudia avalia: “Não se apoquente, você melhor do que ninguém sabe em que cresceu e no que precisa crescer.”
Amigas recentes ou de longa data, todas me contando um pouco como me vêem. Todas completando-me como pessoa inteira nesse mundo. Sinto-me tão afinada com o Espírito Santo para dar conselhos, para aprender com as escrituras, para falar e fazer mover sem magoar... E percebo que vivo uma época de ouro. A gratidão e a responsabilidade aumentam. Certamente vou sentir falta, mas sei o que me espera: espera-me a mesma vida que sempre tive, uma batalha para tentar ser melhor, para contribuir como posso na realização do plano de Deus.

























